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Airbnb deu a Lisboa €3,8 milhões de taxas em 2017

FOTO TIAGO MIRANDA

Turistas dispararam em Portugal 62% e os ganhos dos proprietários 51%. E este ano a Eurovisão já esgotou 85% dos alojamentos de Lisboa

Vem aí uma nova enchente para o alojamento local em Lisboa, desta vez com o Festival Eurovisão da Canção, que vai decorrer em maio no pavilhão Altice Arena, no Parque das Nações. Portugal é o anfitrião do festival em 2018, na qualidade de vencedor da última edição, o que já está a fazer disparar as reservas em Lisboa na plataforma Airbnb nos cinco dias do evento.

Segundo a Airbnb, na semana de 8 a 13 de maio já estão esgotados mais de 85% dos alojamentos disponíveis em Lisboa, sendo a procura mais intensa no fim de semana em que decorre a final onde será anunciado o vencedor da Eurovisão, em que só já há vaga em 10% dos alojamentos na cidade.

2,6 milhões de turistas em Portugal em casas Airbnb

O crescimento da Airbnb em Lisboa é visível no montante de taxas turísticas entregues à câmara. Em 2017, o valor global das taxas turísticas cobradas em Lisboa em alojamentos locais disponíveis na Airbnb ascendeu a €3,8 milhões. Trata-se de taxas no valor de €1 por noite, que os alojamentos locais passaram a cobrar, à semelhança dos hotéis.

Segundo a Airbnb, desde abril de 2016, a data em que os alojamentos disponíveis na plataforma ficaram envolvidos no sistema, já foram entregues à Câmara de Lisboa cerca de €6 milhões em taxas turísticas. Arnaldo Muñoz, diretor-geral da Airbnb em Portugal, concorda que os alojamentos Airbnb tenham de pagar “a sua justa parte de impostos” e adianta estar a trabalhar com a Câmara de Lisboa no sentido de “tornar mais simples para todos a coleta da taxa turística e garantir que a cidade recebe este importante recurso financeiro”.

Os dados consolidados de Portugal relativamente a todo o ano de 2017, pela primeira vez avançados pela Airbnb, dão conta de um salto de 62% no número de turistas que ficaram hospedados no país em alojamentos privados reservados através desta plataforma — e que passaram de 1,6 milhões para 2,6 milhões no ano passado.

Os turistas oriundos de vários países da Europa continuaram a representar a maioria dos hóspedes em casas e apartamentos em Portugal reservados pela Airbnb, mas 2017 já se destacou pela entrada de novos mercados, em particular as reservas por parte de 320 mil turistas provenientes dos Estados Unidos.

A nível nacional, as receitas diretas dos proprietários privados com casas e apartamentos disponíveis nesta plataforma — designados de “anfitriões” pela Airbnb — também dispararam 51% em 2017, atingindo cerca de €250 milhões (no ano anterior tinham sido de €166 milhões, e já representando um aumento anual de 75%).

Os dados consolidados da operação em Portugal ao longo do ano passado também dão conta que “o alojamento típico da Airbnb foi ocupado pelo menos quatro noites por mês, com o ‘anfitrião’ a receber cerca de €4 mil por ano”, segundo informações avançadas pela plataforma de reservas.

“O ano passado registou um número recorde de hóspedes a visitar Portugal através da Airbnb, e por isso estamos muito satisfeitos em contribuir para os benefícios que o turismo tem para as famílias locais”, considera Arnaldo Muñoz, lembrando que “sempre que um hóspede visita Portugal usando a Airbnb as respetivas comunidades beneficiam com essa presença”.

A Airbnb quantificou em €1,07 milhões o impacto económico gerado em Portugal com os turistas que fizeram reservas de alojamento através da sua plataforma em 2016, um valor que inclui despesas com transportes, restaurantes ou comércio local, e com Lisboa a assumir quase metade deste montante, cifrado em €476 milhões.

Portugal é apontado como um dos mercados de crescimento mais rápido pela plataforma de reservas com sede em São Francisco, nos Estados Unidos, destacando-se aqui Lisboa, que no ano passado foi o oitavo destino a nível mundial com mais noites vendidas em alojamentos Airbnb. Um dos momentos altos em 2017 foi a conferência Web Summit, que decorreu em Lisboa de 6 a 9 de novembro, e em que 30% dos participantes (totalizando 18 mil pessoas) ficaram alojados na cidade em casas e apartamentos disponíveis na Airbnb. Nestes três dias da conferência, os ganhos extra dos 34 mil proprietários lisboetas foram quantificados pela plataforma em mais de €1,5 milhões, num crescimento de 25% face ao que se tinha verificado com a primeira edição da Web Summit no ano anterior.

E o Festival Eurovisão da Canção, que vai decorrer em maio, perfila-se como uma “mini Web Summit” para a cidade, prevendo-se neste período um acréscimo de cerca de 40 mil pessoas na capital portuguesa, incluindo fãs e público estrangeiro que vem assistir aos espetáculos.

Procura em Lisboa dispara 42% com a Eurovisão

Na semana em que vai decorrer o Festival da Eurovisão em Lisboa, a procura por casas e apartamentos na Airbnb aumentou 42% em relação ao mesmo período do ano passado. Os preços médios por noite que estão a ser cobrados na cidade nos dias do festival europeu da canção são de €63 por quarto (que pode estar inserido numa casa em que o próprio proprietário pernoita) e de €150 no caso de apartamentos com dois quartos de uso exclusivo.

“Estes números mostram que há um grande interesse entre os viajantes de todo o mundo em visitar Lisboa durante o Festival da Eurovisão e experienciar a cidade como um habitante local, o que revela que há uma oportunidade para os lisboetas que queiram obter algum dinheiro extra partilhando a sua casa e as suas paixões”, salienta Ricardo Macieira, responsável de marketing da Airbnb em Portugal. E lembra que além do alojamento, os proprietários das casas também podem beneficiar deste tipo de eventos e obter mais rendimento extra através da oferta de experiências, “tornando-se assim pequenos empresários do turismo”.