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Explorer lança fundo de €125 milhões

Ana Leite, sócia responsável pela área de private equity, 
e os sócios fundadores — Rodrigo Guimarães 
e Elizabeth Rothfield

FOTO ANTÓNIO PEDRO FERREIRA

Alvo? Empresas exportadoras. Para começar a investir este ano

A sociedade de capital risco Explorer está a lançar um novo fundo, o Explorer IV, com um capital de €125 milhões. A primeira parcela (first close na designação anglo-saxónica) será de €40 milhões e o primeiro investimento deverá ser concretizado ainda este ano. “Este fundo aparece numa altura em que estamos num ciclo muito positivo em Portugal. As perspetivas para os próximos quatro a cinco anos são muito animadoras”, afirma Rodrigo Guimarães, sócio-fundador da Explorer.

Elizabeth Rothfield, também ela sócia-fundadora, adianta que o fundo procura “boas empresas, com modelo de exportação” e que, em termos de angariação de investidores, “estamos a falar com os bancos”.

“Há bancos que fizeram investimentos de balanço em que os ativos estão nos seus balanços, e há bancos que fizeram os investimentos através dos seus fundos de pensões. O consumo de capital no balanço dos bancos em fundos de capital de risco aumentou bastante nos últimos anos, portanto é menos provável que isso venha a acontecer. Já nas instituições com fundos de pensões, temos esperança que aconteça”, refere Rodrigo Guimarães.

Desinvestimentos à vista

O lançamento do Explorer IV surge numa altura de desinvestimento do seu antecessor, o Explorer III. Constituído em 2010, com um capital de €135 milhões, este último fundo terminará o seu prazo no final de 2019, havendo a hipótese de este ser estendido por mais dois anos. Ao todo, foram investidos €100 milhões em sete empresas. E já houve dois desinvestimentos. A empresa ibérica de bens de grande consumo BrandCare, que em Portugal detém as insígnias Super Pop, Feno de Portugal, Mistolin e Javisol, foi vendida ao grupo italiano Sodalis, no início do ano passado, por €36 milhões. E, mais recentemente, as sociedades Magnum Industrial Partners e a Alantra Private Equity compraram a empresa ROQ, por €150 milhões. O grupo São Roque, que hoje opera com a marca ROQ, fabrica maquinaria para a indústria têxtil e estava no portefólio do fundo Explorer desde 2013.

Com esta operação, “atingimos um múltiplo de 6,7 vezes o investimento realizado com este negócio, uma TIR (Taxa Interna de Rentabilidade) de 73%. É uma operação excecional, dificilmente igualada em Portugal nos últimos tempos e provavelmente na Europa também”, descreve Ana Leite, sócia responsável pela área de private equity da Explorer.

O fundo III ainda conta com cinco empresas no seu portefólio: o grupo Totalmédia (logística e distribuição), a Finieco (embalagens em papel), a GlobalTest (inspeção de veículos automóveis), a Grestel (artigos de cerâmica) e a Espaço Casa (artigos para a casa).

“Com estas duas vendas (Brandcare e ROQ) conseguimos devolver aos investidores uma vez e meia o que tinham investido no fundo”, afirma Ana Leite. E “vamos fazer mais um desinvestimento na segunda parte do ano. Já estamos ativamente a trabalhar nessa saída”, adianta Rodrigo Guimarães. “Temos a expectativa de conseguir um retorno total do fundo, até ao final de 2019, de três vezes o investimento. Ou seja, €100 milhões de investimento e €300 milhões de retorno, depois de comissões”, acrescenta o sócio-fundador, explicando que a sociedade tem uma remuneração em linha com aquelas que são as práticas do mercado: 2% ao ano, a que somam 20% das mais-valias.

A Explorer, que tem €1,2 mil milhões de ativos sob gestão, é ainda consultora do fundo imobiliário EREF (Explorer Investments Real Estate) I e do Discovery. O primeiro foi constituído com €75 milhões e tem um NAV (valor de mercado da totalidade dos ativos) de €90 milhões. O Discovery tem 42 ativos em Portugal, um investimento inicial de €650 milhões e um NAV de €780 milhões.