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Crise tirou a Portugal 290 mil empregos

No auge da recessão, em 2013, Portugal chegou a ter menos 607 mil empregos do que em 2008. Recuperou uma parte

Catia Mateus

Catia Mateus

Jornalista

Portugal tinha, no final do último ano, menos 290 mil trabalhadores do que em 2008. Chegou a ter menos 607 mil trabalhadores em 2013, no pico da crise, mas entretanto recuperou. Os números têm por base as estatísticas anuais do inquérito ao emprego, divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e já acautelam a correção do efeito gerado pela alteração da metodologia do inquérito ao emprego e respetiva quebra de série estatística. Mas há outro ‘prego’ na engrenagem da recuperação do emprego nacional, que apesar da sucessiva diminuição da taxa de desemprego ainda não alcançou os níveis de emprego de 2008. A população ativa potencial do país (calculada a partir da soma da população ativa e dos inativos com idade para trabalhar, dos 15 aos 64 anos) tem vindo a diminuir. Nos últimos seis anos reduziu 4,8%, num total que ronda os 354 mil trabalhadores.

O economista João Cerejeira fala da emigração que arrastou para fora do país milhares de profissionais qualificados durante os anos da crise e no envelhecimento progressivo da população portuguesa, como justificação para parte destas contas. No sector da agricultura e noutras atividades de mão de obra mais intensiva, o envelhecimento da população está a gerar impactos sérios. Saem os seniores sem que entrem jovens para estas atividades. O recurso à tecnologia ajuda a travar a criação de novos empregos “humanos”, mas mesmo que fossem criados, o mais certo é que houvesse falta de mão de obra disponível para os preencher.

Emigração e envelhecimento dificultam recuperação

Nos últimos quatro anos saíram das estatísticas do desemprego 501,2 mil profissionais. Nem todos encontraram emprego e basta olhar para os dados do INE para perceber que, no mesmo período de tempo, a população nacional empregada só aumentou em 327,2 mil indivíduos. A emigração justifica parte desta disparidade de números e os dados das Nações Unidas e do Observatório da Emigração comprovam-no. É que, apesar das saídas do país terem dado sinal de diminuir entre 2015 e 2017, continuam a abandonar o território nacional, em média, 100 mil portugueses por ano. Portugal continua a ocupar as posições cimeiras da lista de países europeus com maior taxa de emigração. 2,2 milhões de portugueses vivem e trabalham fora do país.

O envelhecimento da população ajuda a justificar o resto o que, para João Cerejeira, é “estrutural na diminuição da população ativa”. Há cada vez menos gente a entrar no mercado de trabalho. Em 2011, cerca de 58% da população ativa tinha menos de 45 anos. No ano passado, essa franja de profissionais não excedia os 53,8% da população ativa nacional. No mesmo período de tempo, os trabalhadores com mais de 45 anos aumentaram 4,6 pontos percentuais, representando 46,2% da população ativa nacional.