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Primeiro-ministro confirma défice de 0,7% do PIB

A Saúde foi um dos temas mais debatidos no debate quinzenal de terça-feira

Foto António Cotrim/Lusa

Programa de Estabilidade foi entregue esta sexta-feira na Assembleia da República

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

O primeiro-ministro confirmou esta sexta-feira de manhã ao Expresso que o défice de 2018 vai mesmo ficar nos 0,7% do PIB. António Costa também anunciou um grande reforço de investimentos em relação ao próprio Orçamento do Estado.

O Governo entregou esta sexta-feira na Assembleia da República o Programa de Estabilidade 2018-2022, com o Bloco de Esquerda a exigir um recuo na revisão em baixa do défice para 2018 e a manutenção da meta acordada no orçamento.

O programa foi aprovado pelo Governo quinta-feira, em conselho de ministros, não tendo sido porém divulgado o documento oficial nem as metas orçamentais para este ano e os quatro próximos. O documento será debatido na Assembleia da República no dia 24 de abril.

Há uma semana, o “Eco” e o “Jornal de Negócios” divulgaram que o Governo pretendia rever em baixa as metas orçamentais para este ano, fixando o défice orçamental em 0,7%, ou seja, menos 0,4 pontos percentuais - cerca de 800 milhões de euros - em relação ao défice que foi definido no Orçamento do Estado de 2018 (OE2018) e que contou com a aprovação do Bloco de Esquerda (BE), do PCP e do PEV.

Na segunda-feira, Catarina Martins, coordenadora do BE, considerou preocupante que o Governo quisesse alterar as metas orçamentais negociadas com os bloquistas para este ano e apelou para que se mantenham os compromissos assumidos e o espírito de negociação.

Também Mariana Mortágua abordou o assunto num artigo de opinião publicado no “Jornal de Notícias”, na terça-feira, em que defendeu que o Governo “faz mal em pôr em causa a estabilidade da atual solução parlamentar”. Já na véspera da aprovação do documento em Conselho de Ministros, a deputada bloquista avisou que o Governo tinha até hoje para recuar e manter a meta do défice acordada no orçamento de 2018.

Para António Costa, a redução sustentada do défice “é absolutamente decisiva para a redução da dívida e para que o país continue a poupar dinheiro que gasta em juros, podendo assim aplicar essa poupança no essencial”, conforme afirmou na quinta-feira.

Apesar do aparente clima de tensão política, e já depois de ter avisado que “uma crise política é indesejável” e considerado que “a conclusão da legislatura é muito importante para Portugal”, o Presidente da República relativizou o assunto. “Tudo é relativo, muito relativo”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa esta sexta-feira a partir do Cairo, capital do Egito, onde se encontra em visita oficial.

“Tenho por hábito não comentar no estrangeiro o que se passa em Portugal, mas aqui, sentindo o que sentimos, percebemos que é tudo relativo, muito relativo. Aquilo que parece muito importante, muito grave num dia, numa semana, num mês, daí a uma semana, um mês, seis meses, já ninguém fala disso”, afirmou.