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Há menos turistas ingleses em Portugal e mais americanos, brasileiros, suecos e italianos

Foto António Pedro Ferreira

Turismo cresceu 5,6% em Portugal até fevereiro. A origem dos visitantes é cada vez mais diversificada

Segundo os dados avançados esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), em janeiro e fevereiro houve uma queda de 5,8% nas dormidas de turistas britânicos em comparação com o período homólogo do ano passado, mas ainda assim o total de dormidas em Portugal cresceu 5,6%.

Turistas de diversas origens, incluindo os portugueses, contribuíram para compensar o recuo dos britânicos no início do ano. O destaque vai para os turistas dos Estados Unidos e da Suécia, os que mais crescimento registaram em dormidas em fevereiro, cifrado em 30,4% em ambos os casos, segundo o INE.

Em fevereiro houve ainda crescimentos expressivos em dormidas do lado dos turistas brasileiros (28,6) ou de italianos (21,3%). Os turistas alemães também evidenciaram neste mês aumentos de 4,4%, assumindo já uma quota de 14,8% no total de dormidas a nível nacional.

Segundo o INE, a descida de turistas britânicos fez-se sentir em Portugal desde outubro do ano passado, sendo em 2018 mais expressiva. As incógnitas relativamente aos efeitos do Brexit - em particular, a desvalorização da libra relativamente ao euro - são uma das principais preocupações da Confederação do Turismo Português (CTP), apesar de o turismo estar a crescer no país à conta de diversos outros mercados que estão a compensar as quebras dos ingleses.

O presidente da Ryanair, Michael O'Leary, reforçou esta semana as suas preocupações sobre o Brexit, enfatizando tratar-se de “uma ameaça real ao turismo português”, ao participar numa conferência sobre turismo residencial e de golfe que decorreu no Estoril.

“Ainda não houve declíneo de tráfego em Portugal porque nós na Ryanair temos estado a absorvê-lo com tarifas baixas”, salientou Michael O'Leary, frisando que os mercados que mais estão a crescer para Portugal nos voos da Ryanair são a Polónia e outros países do centro da Europa, como a República Checa ou a Eslováquia, apesar do maior volume de tráfego, em termos absolutos, ainda vir do Reino Unido e da Irlanda.

Frisando que ao avançar para o referendo o Reino Unido nunca pensou nas consequências do Brexit, nem tem “planos ou ideias” em particular no que se refere à indústria de viagens, Michael O'Leary advertiu que “além do período de transição, os estragos poderão ser sérios quando os cidadãos britânicos perceberem que não têm voos baratos para Portugal, Espanha ou Itália em abril de 2019”. E deixou o apelo: “Temos de encorajar o Reino Unido a mudar e a voltar a ser parte da União Europeia”.

Portugueses crescem a um ritmo superior ao dos estrangeiros

O crescimento mais acelerado do lado dos turistas nacionais em comparação com os estrangeiros também se destaca neste início de 2018.

Em fevereiro, as dormidas do mercado interno registaram um aumento de 7,6% face a igual mês do ano passado e as dos estrangeiros aumentaram 5,6%. Já em janeiro tinham-se destacado os aumentos de 5,6% dos turistas portugueses, face à subida de 4,6% dos turistas externos.

No acumulado de janeiro e fevereiro, os turistas nacionais geraram 1,6 milhões de dormidas, num crescimento de 6,7% face ao homólogo do ano passado, e os estrangeiros 3,8 milhões de dormidas, o equivalente a um crescimento de 5,1%.

Os portugueses também se evidenciaram pela positiva com um crescimento de 2% ao nível da estada média, enquanto os estrangeiros recuaram aqui 1,6%. Globalmente, a estada média dos turistas nos estabelecimentos hoteleiros do país diminuiu 0,3%, passando para 2,56 noites.

No caso dos Açores, a estada média dos turistas aumentou 6,7% e no Algarve 2,6%. A região nacional onde os turistas ficaram em média mais tempo foi a Madeira, num total de 5,56 noites, e logo a seguir o Algarve, com 4,52 noites.

Por regiões, os maiores aumentos de dormidas em fevereiro foram sentidos no Alentejo (10,6%), Açores (9,9%) e no norte de Portugal (9,7%). “Estes números demonstram que o trabalho articulado entre todos tem permitido aumentar a atratividade e visibilidade da oferta turística portuguesa ao longo de todo o ano, não só na tradicional época alta, e contribuído para a dinamização do turismo nas várias regiões do país”, conclui Ana Mendes Godinho, secretária de Estado do Turismo.