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Portugal coloca dívida a 15 anos com taxa mais baixa de sempre

O Estado realizou esta quarta-feira uma operação sindicada de uma nova linha de Obrigações do Tesouro pagando 2,325% numa emissão de €3 mil milhões. Nas duas operações similares anteriores em 2008 e 2014 pagou 4,98% e 3,92%

Jorge Nascimento Rodrigues

O Tesouro regressou esta quarta-feira ao mercado de dívida de longo prazo realizando, com êxito, uma operação sindicada para o lançamento de uma nova linha de Obrigações do Tesouro (OT) que sirva de referência no prazo a 15 anos. Portugal pagou 2,325% nesta colocação de €3 mil milhões, a taxa mais baixa de sempre em operações sindicadas no prazo a 15 anos.

A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) acabou por subir o montante de colocação de 2,5 para 3 mil milhões de euros face a uma procura de €16 mil milhões por parte dos investidores. A procura acabou por ficar em mais de 5 vezes a colocação e foi superior à ocorrida no dia anterior para uma operação sindicada de uma nova linha de obrigações a 15 anos na Irlanda.

Com a operação de hoje, o Tesouro já colocou, em quatro meses, €9,5 mil milhões em OT, o que já equivale a 63% do programa de financiamento em dívida obrigacionista, por via de sindicatos ou leilões, para 2018.

A nova linha de OT com vencimento em abril de 2034 vai substituir no mercado a linha de OT que vence em fevereiro de 2030 e que estava a servir de referência no prazo a 15 anos. Na operação desta quarta-feira, o Tesouro pagou, naturalmente, acima do juro (yield) registado no mercado secundário para a OT a vencer em 2030 (com maturidade quatro anos antes da lançada hoje), que se situa em 1,958%, e um pouco menos do que o juro de 2,4% que se verifica para a OT que vence em 2037 (com maturidade superior).

A taxa conseguida esta quarta-feira é a mais baixa de sempre em sindicações de dívida a 15 anos. Nas três operações anteriores similares, o Estado pagou 3,85% no lançamento em 2005 da OT que vence em 2021, 4,98% na operação de 2008 para a linha que vence em 2023, e 3,923% em 2014 para a OT que vence em 2030 (a que estava a servir atualmente de referência a 15 anos). No último leilão desta última linha, realizado em março de 2016, Portugal pagou 3,362%.

Custo de emissões de dívida desceu para 2% no primeiro trimestre

Recorde-se que, em janeiro, o Tesouro colocou €4 mil milhões numa operação sindicada para lançamento de uma nova linha de OT de referência a 10 anos, onde pagou, também, a taxa mais baixa de sempre em sindicações naquele prazo. Na altura, pagou 2,137%.

Em virtude da realização de operações sindicadas e de leilões de OT desde início deste ano registando as taxas mais baixas de sempre, o Estado já conseguiu reduzir o custo das emissões de dívida (em todos os prazos) de 2,6% em 2017 para 2% no primeiro trimestre de 2018.