Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Ha recuperação económica? Deve-se às empresas, não ao governo, diz a CIP

Empresários fazem a apologia do lucro e proclamam: "Basta de impostos", "temos de ser exigentes com o Governo"

O presidente da CIP - Confederação Empresarial de Portugal, defendeu hoje que a melhoria dos indicadores económicos do país se deve às empresas, "são elas que produzem, são elas que inovam, são elas que exportam" e são elas que geram emprego, sublinhou o dirigente empresarial.

Na abertura de um congresso que tem como tema o "valor das empresas', António Saraiva justificou esta escolha afirmando: " esse valor está patente na evolução recente da nossa economia. Na recuperação que muitos insistem em discutir se é mérito deste Governo, do anterior ou de uma eventual conjunção de condições propícias ao crescimento.. Mas a verdade é que a recuperação se deve às empresas".

Se a taxa de emprego está abaixo dos 8%, é preciso lembrar que 97% do aumento líquido do emprego por conta de outrem foi gerado pelas empresas, disse. Em 2017 o país atingiu o maior nível de crescimento económico em 17 anos? Isso é "mérito das empresas" acrescentou.. Mais de dois terços do investimento em Portugal é realizado pelas empresas, disse também. E se o défice em 2017 foi historicamente baixo, isso ficou a dever-se a aceleração económica e ao aumento do emprego, "mérito dos empresários", sublinhou.

Assim, há também espaço para os empresario serem exigentes com o Governo, desde logo em matéria fiscal. António Saraiva aponta diretamente o dedo "ao aumento da carga fiscal em Portugal". Na tributação sobre o contribuinte individual até houve algum alívio, reconhece,mas "em termos globais", há uma "parcela crescente de toda a riqueza gerada no país que é absorvida pelos impostos e contribuições sociais", referiu.

E concretizou o que está em causa. No IRC, o aumento da receita foi de quase 10%. Nos impostos indiretos, o aumento foi superior a 6% em 2017. "A imaginação do Governo para criar novas formas de tributação permanece viva, fértil e voraz", acrescentou.

Tudo isto compromete a atractividade do investimento, prossegue, e,"se por absurdo, esta tendência de aumento da carga fiscal não for invertida, chegaremos à situação limite em que a totalidade da riqueza gerada nas empresas portuguesas será apropriada pelo Estado", afirma.

Outra nota crítica do dirigente associativo foi para o que considera "a crescente afetação dos fundos europeus ao funcionamento do aparelho de Estado e das autarquias, em detrimento do investimento no aumento da competitividade das empresas".

Pressão sobre legislação laboral

Na sua intervenção. Saraiva deixou um alerta para os indicadores que põem em causa a sustentabilidade do crescimento, como a queda de 0,6% na produtividade no trabalho.

"Temos de ser exigentes com o Governo" diz. Depois explica que isso passa por questões como a carga fiscal, estabilidade,simplicidade e previsibilidade na tributação. Passa, também, pelo estímulo à capitalização das empresas, redirecionamento do crédito bancário para o sector produtivo, diversificação de fontes de financiamento.

Mas em causa estão, também, o investimento público, as ligações ferroviárias à Europa para o transporte de mercadorias, a qualificação dos recursos humanos.

Outro ponto em destaque é a legislação laboral. Os empresários,diz a CIP, não admitem retrocessos nas reformas relativas à flexibilidade do mercado de trabalho e recusam uma "visão redutora do que deve ser um efetivo combate à precariedade laboral".

Na sua intervenção , António Saraiva fez, ainda,a defesa dos lucros. " Não podemos permitir que se diabolize o lucro como causa da pobreza", disse. Isto porque "sem lucro, não é possível investir e acabar com essa mesma pobreza", sustenta.