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Defesa da globalização pela China “aquece” bolsas

Xi Jinping criticou esta terça-feira o regresso a uma “mentalidade da Guerra Fria”, defendeu a globalização e prometeu uma “nova fase de abertura” da economia chinesa. Xangai e Hong Kong lideraram esta terça-feira subidas nas praças asiáticas. Europa contagiada pelo vento otimista do Oriente, reduzindo o risco de guerra comercial

Jorge Nascimento Rodrigues

O otimismo regressou às bolsas mundiais depois do presidente chinês Xi Jinping defender esta terça-feira no Fórum da Ásia, a decorrer na ilha de Hainan, a globalização contra a “mentalidade dos jogos de soma nula” no comércio internacional, criticando indiretamente o protecionismo da Administração norte-americana e apontando para uma solução de “diálogo” em vez de escalada na guerra comercial.

O Fórum é organizado por Pequim e é considerado o “Davos asiático”. Iniciou-se no domingo e termina amanhã. Um jogo de soma nula, a que alude o presidente chinês, refere-se a jogos em que o ganho de um jogador representa necessariamente a perda para o outro.

Os analistas têm sublinhado que Pequim procurará evitar responder aos movimentos protecionistas da Casa Branca gerando uma escalada, caindo na chamada armadilha de Tucídides. O próprio Xi Jinping já se referiu ao conceito, que não foi criado pelo historiador ateniense da guerra do Peloponeso no século V a.C.. A expressão é relativamente recente, tendo sido popularizada por Graham Allison, professor da Universidade de Harvard, no seu livro “Destinados à Guerra: Podem EUA e China Escapar à Armadilha de Tucídides?”. A expressão tem sido usada para descrever um situação similar à ocorrida na Grécia, entre Atenas e Esparta, entre uma potência então emergente sendo vista como colocando em causa a hegemonia da incumbente, e que se repetiu inúmeras vezes na história, nos mais diversos contextos.

Na Ásia, os mercados de ações fecharam esta terça-feira com ganhos generalizados, com exceção da bolsa de Hanói. Os índices de Xangai e de Hong Kong encerraram a sessão com subidas de 1,7%. A terceira bolsa mais importante do mundo, e primeira da Ásia, Tóquio, fechou com o índice Nikkei 225 a avançar 0,5%

O contágio positivo atingiu a Europa, com as praças em terreno positivo na União Europeia, com destaque para Frankfurt onde o índice Dax avança 0,9% % pelas 12h (hora portuguesa). Em Lisboa, o PSI 20 segue a tendência europeia, subindo o mesmo que o índice Eurostoxx 600 (das seiscentas principais cotadas europeias) que serve de referência.

Os futuros em Wall Street apontam para uma abertura em Nova Iorque com ganhos de 1%.

Os ganhos das bolsas esta terça-feira reforçam os avanços na segunda-feira, quando o índice mundial MSCI subiu 0,4%, puxado pela Ásia, e em particular pela China. A manter-se o otimismo, esta segunda semana de abril anulará as perdas da semana anterior que somaram 0,7% à escala mundial, com destaque para descidas diárias significativas do índice MSCI para os EUA nas sessões de 2 e 6 de abril, superiores a 2%.

O presidente chinês criticou também o regresso da “mentalidade da Guerra Fria” e prometeu uma “nova fase de abertura” da economia do país no ano do 40º aniversário das primeiras reformas económicas lançadas em dezembro de 1978 por Deng Xiaoping. Os novos passos na abertura poderão envolver a autorização de maiorias no capital por parte do investimento estrangeiro, nomeadamente nos sectores automóvel, aviação, construção naval e seguros, e uma redução das taxas aduaneiras sobre os automóveis importados (que estão em 25%).