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Daniel Bessa: "O emprego crescer 3,6% é mau"

O antigo ministro da Economia não se furtou a criticar os números mais recentes, elogiados de forma "hiperbólica"

NUNO FOX

Antigo ministro da Economia teceu duras críticas a Mário Centeno e ao Governo numa intervenção no XV Encontro Fora da Caixa organizado pela CGD, com o apoio do Expresso. Uma "visão equivocada da economia que não pode conduzir a bom resultado", diz

"Estamos perante um discurso político que só valoriza estes números, o que se torna hiperbólico e introduz um elemento de mediocridade." É a "perplexidade" de Daniel Bessa perante os resultados mais recentes da economia portuguesa - e a reação que têm suscitado - que o economista deixou bem patente no XV Encontro Fora da Caixa, no Porto.

Numa intervenção subordinada ao "Futuro da Economia Portuguesa: cidades, empreendedorismo, reformas estruturais...", o antigo ministro da Economia referiu-se sobretudo aos números de crescimento do PIB e do emprego (2,7% e 3,6% respetivamente, de acordo com os dados mais recentes do INE), que viu elogiados pelo ministro das Finanças, Mário Centeno, num artigo publicado ontem no "Público." Algo que o deixou surpreendido porque, na sua opinião, alguém da "reputação" do governante não pode elogiar algo que "é mau."

O ponto de maior crítica é mesmo o do crescimento do emprego, que Daniel Bessa acredita não poder ser maior que o do PIB, uma vez que "quando a economia está numa situação equilibrada não é preciso mais gente a trabalhar para produzir mais." Ou seja, são elogios que a seu ver só podem ser atos de misericórdia, quando o que se verifica é que "a economia portuguesa está a crescer em sectores de produtividade mais baixa." É uma "visão equivocada da economia que não pode conduzir a bom resultado", garantiu, perante o auditório da Ordem dos Contabilistas Certificados, em pleno centro da cidade Invicta.

O empreendedorismo na cidade e no país esteve em destaque ao longo do evento da Caixa Geral de Depósitos (que contou com o apoio do Expresso) que originou igualmente a gravação de uma edição especial do programa "Quadratura do Círculo" que vai ser emitido dia 12 de abril na SIC. Já no debate mais dedicado ao Porto, Mário Ferreira, CEO da Douro Azul, não deixou dúvidas: "Ainda existe muito espaço para crescer, caso seja preciso."

Trata-se de tornar "as cidades atrativas" sem que deixem de ser efetivamente cidades, lembrou o Prémio Pessoa 2018 e arquitecto, Manuel Aires Mateus. Adrian Bridge, CEO da The Fladgate Partnership, deixou claro que "mais turismo não é necessariamente negativo" para a cidade. Cidade que foi a escolhida no dia em que a CGD celebra 142 anos. "Não foi por acaso", fez questão de afirmar o presidente da Comissão Executiva, Paulo Macedo.