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Conduril lucra 7 milhões em 2017. Construtora ataca mercado da África do Sul

A engenheira Benedita Martins preside à construtora fundada pelo pai

Lucília Monteiro

Os depósitos e aplicações financeiras da construtora superaram a dívida bancária em 31 milhões de euros. A carteira está nos 300 milhões

A Conduril, a construtora da família Amorim Martins e participada pelo BPI (10%), fechou 2017 com um lucro de 7 milhões de euros, uma subida de 70% face ao exercício anterior.

A receita (146,8 milhões de euros) ficou ao nível de 2016. No fim de 2017, as obras em carteira somavam 300 milhões, um valor ligeiramente abaixo do ano anterior.

A construtora vai distribuir 2,7 milhões de dividendos aos acionistas.

Dívida líquida negativa

A Conduril melhorou, em 2017, todos os indicadores financeiros, com destaque para a margem operacional. O resultado de exploração (EBITDA) ficou nos 36 milhões (+30%), impulsionando para 25% o rácio EBITDA/volume de negócios.

A Conduril é uma construtora que combina duas originalidades. Uma delas é ter dívida líquida negativa (31 milhões). Os ativos financeiros e depósitos bancários de que dispõe (147 milhões) supera os financiamentos que recebeu do sistema bancário (116 milhões).

A outra é de género. Entre as grandes construtoras é a única que conduzida no feminino. A engenheira Benedita Martins conta com a irmã Maria Luísa como principal braço direto na administração da empresa fundada pelo pai.

Angola prospera

Com 80% da produção no exterior, a Conduril beneficiou da recuperação do negócio em Angola, o seu principal mercado.. Em 2017, faturou 84 milhões de euros (+25%).

A evolução favorável em Angola compensou o declínio em Moçambique e em Portugal, por causa da conclusão de obras como a concessão rodoviária do Baixo Alentejo.

Os restantes mercados (Zâmbia, Malawi e Gabão não registaram grandes oscilações Em 2014, o mercado português fixou o mínimo de 7% e foi recuperando preponderância com obras, entretanto, concluídas.

No mercado doméstico, a construtora realça as recentes adjudicações do troço Covilhã-Guarda da linha da beira Baixa e a reabilitação da ponte do Guadiana.

Em Angola, prossegue os trabalhos de reabilitação do porto de cais de Malongo para a Chevron, em Cabinda (130 milhões de euros) e regista cinco novas empreitadas rodoviárias. A empresas está a finalizar a conclusão da nova sede da sua sucursal angolana, no coração de Luanda.

África do Sul no radar

Apesar de já ter escrutinado novos mercados na América Latina, a Conduril permanece focada no continente africano.

A África do Sul é a nova aposta da empresa liderada por por Benedita Martins. A "exiguidade do mercado português" impõe "una vocação expansionista" e leva à "pesquisa de oportunidade" em novos mercados, seguindo uma "análise exaustiva e ponderada" de projetos e clientes.

No relatório de gestão, Benedita Martins refere que a construtora escrutina, em permanência, "novas oportunidades à escala mundial" e aponta a África de Sul como um país "de boas expectativas", sem descurar a aposta na frente da América Latina e América Central que poderá,em 2018, resultar em contratos.