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Novo Banco rejeita 'sprint' de lucros mas garante maratona pela sustentabilidade

Nuno Fox

“Faremos tudo e o melhor que podermos para o banco rapidamente passar a uma fase de lucros”, afirmou o presidente do Novo Banco, António Ramalho, em entrevista à Antena 1 e ao Jornal de Negócios

O presidente do Novo Banco recusou fazer um “'sprint' de lucros” da instituição bancária, garantindo antes uma “maratona de sustentabilidade”, e não descartou um novo recurso ao Fundo de Resolução, o que depende dos rácios.

“Não consigo antecipar os resultados do próximo ano. Faremos tudo e o melhor que podermos para o banco rapidamente passar a uma fase de lucros, mas não estou num 'sprint' de lucros, estou numa maratona de sustentabilidade”, disse António Ramalho, em entrevista à Antena 1 e ao Jornal de Negócios, hoje divulgada.

Isto porque, de acordo com o responsável, o banco “precisa de sustentabilidade a prazo”.

No início deste mês foi conhecido que esta instituição -- que ficou com ativos do ex-BES, alvo de medida de resolução em agosto de 2014 -- teve prejuízos recorde de 1.395,4 milhões de euros em 2017, num ano em que constituiu mais de 2.000 milhões de euros de imparidades (provisões para perdas potenciais).

Na sequência deste nível elevado de perdas, o Novo Banco ativou o mecanismo de capital contingente negociado com o Estado português, pedindo que o Fundo de Resolução bancário (entidade na esfera do Estado financiada pelas contribuições dos bancos) o capitalize num montante de 791,7 milhões de euros.

Uma vez que o Fundo de Resolução não tem todo esse valor, o Estado deverá emprestar até 450 milhões de euros ao fundo para capitalizar o Novo Banco.

“Os contribuintes portugueses pelos vistos vão emprestar ao Novo Banco 450 milhões [...] ao Fundo de Resolução“ e “o que posso fazer” é assegurar a “criação de valor deste banco e ao melhor preço possível”, sustentou António Ramalho.

Contudo, “nunca lhes darei um valor, mas espero que, quando for avaliado pelos contribuintes portugueses - que também me avaliarão -, façam a conta daquilo que pagaram e do que receberam”, acrescentou.

O acordo feito aquando da venda do Novo Banco (que pertence em 75% ao fundo de investimento norte-americano Lone Star e em 25% ao Fundo de Resolução) prevê que o Fundo de Resolução possa injetar até 3,89 mil milhões de euros no Novo Banco em oito anos para fazer face a perdas num conjunto de ativos que levem os rácios de capital abaixo de determinados níveis.

Ou seja, mesmo depois de o Fundo de Resolução injetar 791,7 milhões de euros no Novo Banco (valor que ainda tem de ser validado), há mais de 3.000 milhões de euros que ainda poderão ser colocados no banco através deste mecanismo.

Questionado sobre a possibilidade de o Novo Banco recorrer a um novo mecanismo de capital, António Ramalho disse que isso “depende das perdas e dos rácios”.

“Isso depende desta dimensão importante, mas que também não devemos pôr de fora do ponto de vista das possibilidades de isso acontecer”, referiu.

Vincando não ser possível estimar rácios, o banqueiro rejeitou, contudo, “tentar antecipar” este cenário.

Já quanto a uma eventual concorrência desleal relativamente a outros bancos nas injeções de capital através do Fundo de Resolução, António Ramalho disse que “sobre os seus ombros pesa esse dever de viabilizar a instituição”.

“Eu sou um homem de sistema e, portanto, naquilo que puder trabalhar para criar valor, também não me esqueço de que o apoio deste banco é feito por um Fundo de Resolução que, em parte, onera todos os bancos, incluindo o nosso”, afirmou.

O responsável abordou ainda o negócio com o Lone Star. Ressalvando que “não há negócios perfeitos”, adiantou que este foi “o negócio possível, que tem como características básicas a distribuição de responsabilidades e de partilha entre acionistas daquilo que era a situação de partida que o banco tinha”.