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Martifer e Oxy brigam por causa da Prio

A rede da Prio conta com 240 postos e gera uma receita anual de €850 milhões

FOTO TIAGO MIRANDA

A empresa dos irmãos Martins sente-se lesada e recorre à via judicial

A Martifer, dos irmãos Carlos e Jorge Martins, sente-se lesada pela Oxy Capital por causa da operação em torno da Prio Energy. Nem a Oxy nem a Martifer estiveram disponíveis para dar a sua visão sobre o caso e explicar o que está na base da litigância. A briga acionista começa para a semana a ser apreciada pelo tribunal.

Recuemos a agosto de 2013. Pressionada por uma dívida colossal, a Martifer desfaz-se da distribuidora de combustíveis e fabricante de biodiesel que fundara em 2006. A Prio, avaliada na altura em €77 milhões, era partilhada pelo Montepio (herdara 20% do Finibanco) e pela Severis SGPS (30%), uma sociedade dos irmãos Martins e de Rui Alegre, ex-marido de Paula Amorim.

No momento de acertar o preço da operação com o Fundo de Reestruturação Empresarial (FRE), gerido pela Oxy, uma cláusula terá ajudado a fechar o negócio. A Martifer permaneceria como acionista minoritário (10%) no caso do desempenho financeiro da empresa atingir determinados objetivos. Mas a Prio não atingiu os níveis que a Martifer estimara. Este conflito judicial poderá ser um dos fatores que já levou a Oxy a rejeitar ofertas pela Prio acima dos €120 milhões.

Num primeiro momento, a Martifer disponibilizou-se para explicar o litígio, mas depois invocou a “confidencialidade do processo” para se remeter ao silêncio. A Oxy permanece fiel ao princípio de “não comentar processos judiciais” que “desgastam as empresas” e só servem para “desviar as atenções do que é essencial”. No caso da Prio, o essencial “é que a empresa duplicou, em quatro anos, a quota de mercado de 5% para 10%, reforçou a rede de postos para 240 e cresceu em todos os segmentos de negócio”. O resultado operacional também duplicou, atingindo os €30 milhões por ano.

A Oxy, através dos vários fundos que gere, já realizou mais de 50 investimentos e tem parcerias com muitas entidades. Umas correm bem, outras nem por isso, e a litigância acontece. Um caso de parceria infeliz aconteceu nos Estaleiros Navais de Peniche, em processo de revitalização. Dois anos depois da aquisição por um euro, o seu parceiro no negócio (o grupo Amal — Construções Metálicas) entrou em falência. Um rude golpe no plano de recuperação da empresa naval. O grupo Amal, que teve como acionista uma sociedade do BES, tem à venda três fábricas e a participação de 45% nos estaleiros.

Cabelte e Piedade

Um traço comum a todas as empresas da Oxy acolhidas na ‘clínica’ FRE é terem o BES como principal credor. É o caso da Cabelte, a empresa de cabos elétricas e fibra ótica que representou o primeiro investimento do fundo. O peso da dívida (€130 milhões) e a pressão da banca forçaram a um novo modelo de gestão e o afastamento do neto do fundador.
Em 2013, Tiago Neiva de Oliveira, neto de Nelson Quintas, cedeu o controlo acionista (76%) à Oxy. A convivência não foi pacífica, mas a tensão foi resolvida com a saída de Tiago. Após libertar os avales que tinha na empresa, Tiago cedeu a sua posição (24%) à equipa de gestão liderada por Mário Pais de Sousa. Agora, a sintonia é perfeita. A empresa fatura perto de €250 milhões e exporta mais de 80% da produção.

Um fim feliz teve também a Corticeira Piedade, o único caso até agora no âmbito a gerar retorno e a conhecer novo dono. A Oxy começou por ter (início de 2014) uma posição de controlo (60%). Um ano depois venderia a totalidade da corticeira ao conglomerado francês Oeneo, vice-líder mundial do setor e principal rival da Corticeira Amorim no segmento das rolhas. Na altura, agentes da indústria corticeira estranharam a passagem fugaz do fundo, admitindo que a sua entrada tenha sido concertada com o conglomerado francês, com uma faturação de €246 milhões (2017) e um valor em Bolsa de €630 milhões, numa manobra lesiva do acionista minoritário.

A briga acionista mais recente envolvendo um fundo da Oxy (Aquarius) opõe a sociedade à Amorim Turismo (AT), presidida por Jorge Armindo. A holding contesta a venda do hotel Lake Resort, no Algarve, por uma sociedade na qual detém 25%. O valor da ação é de €2 milhões. Mas na AT são os três ramos da família Amorim que estão em guerra. No circuito judicial segue uma ação no valor de €19 milhões.