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Descodificador: IRS: deixam tudo para... o início?!

Corrida à entrega da declaração no ano em que o papel acabou. Aberta a caça ao reembolso

Porque é que tanta gente já entregou a declaração?

Nas primeiras 24 horas, foram entregues mais de 250 mil declarações, chegando às 450 mil em pouco mais de dois dias (mais 25% do que em igual período de 2017). O prazo começou a 1 de abril, domingo —, mas no sábado à noite já houve quem conseguisse entregar a declaração — e termina a 31 de maio. Há várias explicações. Primeiro, o alargamento do IRS automático (o contribuinte só tem de validar a declaração). Segundo, a expectativa de rápido reembolso, que, segundo o Governo, poderá ocorrer em menos de 12 dias nas declarações automáticas. Por fim, o prazo teve início num fim de semana alargado (Páscoa).

Quais são 
as novidades 
deste ano?

A primeira é a obrigatoriedade 
de entrega pela internet. 
Uma decisão que as Finanças justificaram com o reduzido número de declarações que ainda eram entregues em papel (mesmo assim foram 150 mil no ano passado) 
e o alargamento da declaração automática, abrangendo cerca 
de 60% dos contribuintes. 
Quem tiver outros rendimentos além do trabalho dependente e pensões, como por exemplo ganhos 
com imobiliário e mais-valias, 
não está abrangido e terá de entregar uma declaração de IRS, 
mas pode optar pelo pré-preenchimento pela Autoridade Tributária, poupando muito trabalho.

Está a haver problemas 
na entrega?

Sim. Muitos contribuintes não conseguiram entregar as declarações por o sistema estar em baixo. Situação que o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, António Mendonça Mendes, justificou com o elevado afluxo. Nas repartições de Finanças, onde o apoio na entrega das declarações é feito mediante marcação, o aumento do número de pessoas levou a alguma confusão. Os contribuintes podem ainda solicitar ajuda nas juntas de freguesia e nas lojas e espaços do cidadão. Mas a União das Freguesias de Coimbra veio denunciar que vários moradores estão a “exigir” que os serviços da junta lhes tratem do processo argumentando que foi assim anunciado pelo Governo.

Que cuidados 
é preciso ter?

No Expresso Diário da última semana apontámos alguns conselhos. A começar por esperar por meados de abril para entregar a declaração, porque a aplicação tem habitualmente erros que só são corrigidos com as queixas. Segundo, se estiver abrangido pelo IRS automático, aceite apenas se tiver a certeza (confirmando os valores) de que não falta nada. Terceiro, se tem rendimentos além do salário, simule a entrega com e sem englobamento para ver o que é mais vantajoso. O mesmo para quem é casado ou unido de facto: simule a entrega em separado e em conjunto. E não esqueça que pode consignar 0,5% do IRS a uma instituição particular de solidariedade social. Não custa nada (o dinheiro sai do bolo do Estado).