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Comércio eletrónico cresce 12,5% em 2017

d.r.

Impacto tem sido maior na logística do que no retalho. Potencial de crescimento em Portugal é considerado elevado

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

A internet está a ganhar cada vez mais preponderância no comércio europeu, por enquanto, maioritariamente de artigos de pequena dimensão, e Portugal não é exceção, apesar de a sua relevância ser inferior quando comparada com outros países.

Segundo dados da E-commerce Foundation, o volume de vendas realizadas na internet em 2017 cresceu 12,5% em Portugal para €4,73 mil milhões. Neste momento, diz a consultora imobiliária Worx num estudo que cita os dados da E-Commerce Foundation, dois em cada três portugueses fazem compras online.

Mas “se os valores parecem elevados, quando olhamos para o mercado europeu, depressa percebemos que o comércio eletrónico em Portugal está longe de ter atingido o seu grau de maturidade”, nota ainda a Worx.

Por exemplo, no Reino Unido, o volume de vendas atingiu os €197 mil milhões em 2016, estabelecendo-se como o maior da Europa. Seguiu-se a Alemanha com €86 mil milhões e depois França com €82 mil milhões.

De facto, o crescimento verificado em Portugal, “está abaixo da média europeia, que se estima em 13,6% em 2017, e particularmente aquém dos países no sul da Europa, que terão registado um crescimento de 18%”, pode ler-se num estudo sobre retalho divulgado pela Cushman & Wakefield, que também cita os dados da E-commerce Foundation.

Ou seja, o potencial de crescimento do comércio eletrónico em Portugal é muito elevado. O estudo da Worx revela que as estimativas apontam para que, em 2020, cada português gaste mais de €1000 em compras na internet. Neste momento, o gasto anual médio é de pouco mais de €500, sendo o gasto médio por compra de €53,4, segundo o e-Commerce Report 2017 dos CTT que a Cushman cita no seu estudo.

Neste momento, dado que o comércio eletrónico em Portugal ainda não atingiu volumes muito significativos, o impacto no retalho ainda não é demasiado evidente. Há mais sinergias entre as lojas físicas e as lojas online e há mais lojas a alterar a forma como se apresentam ao público, apostando na criação de experiências para, dessa forma, atrair mais clientes. Mas agora não se registaram quebras nas vendas em lojas físicas por causa do aumento das vendas na internet. Aliás, segundo o estudo dos CTT, “as vendas por este canal contribuem para menos de 25% do total” da vendas dos retalhistas inquiridos que têm uma operação na internet.

No que respeita ao imobiliário, o impacto deste aumento do volume de vendas online verifica-se mais no segmento da logística, onde existe uma procura cada vez maior por armazéns que, não precisando de ser muito grandes, têm de estar o mais perto possível das principais cidades e das vias de acesso, para que haja uma distribuição rápida, como é exigido neste tipo de comércio.

O problema tem sido — e vai continuar a ser — a falta de espaços para arrendar ou de terrenos e/ou imóveis para implementar este tipo de armazéns.