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Sonae Indústria. Mais lucros, menos vendas

Fábricas de Mangualde e Oliveira do Hospital, "gravemente" afetadas pelos incêndios de outubro, ficam operacionais este mês, diz Paulo Azevedo. E escreve sobre o pai, Belmiro de Azevedo: "Tinha um espírito empreendedor e uma visão e estilo de liderança únicos"

A Sonae Indústria fechou 2017 com um crescimento de 37,8% nos lucros, para os 12,3 milhões de euros, e uma decida de 4,1% nas vendas, que ficaram os 231 milhões de euros, informa a empresa em comunicado enviado à CMVM - Comissão de Mercado de Valores Mobiliários.

No segundo ano consecutivo da empresa com resultados positivos, o EBITDA recorrente ficou nos 38,1 milhões de euros, 0,7% abaixo do exercício anterior, fixando a margem nos 16,5%, que compara com os 15,9% registados um ano antes.

A dívida líquida foi reduzida em 4,9 milhões de euros, para 208,7 milhões, enquanto os capitais próprios foram reforçados em 15,8 milhões de euros, somando 126,1 milhões. Já os investimentos em empreendimentos conjuntos (contando a participação de 50% da empresa na Sonae Arauco) totalizaram 205,6 milhões de euros, mais 9,7 milhões que em período homólogo.

Sobre a redução do volume de negócios, a empresa explica que este desempenho ficou a dever-se, "principalmente ao menor volume de vendas no negócio da América do Norte, cujo efeito não foi totalmente anulado pelo aumento dos preços médios de venda no Canadá", e pela "redução de vendas nos mercados nórdicos" do negócio de laminados e componentes na segunda metade de 2017.

A empresa, que em 2017 "consolidou e adoptou a sua nova dupla função corporativa: gestão da parceria estratégica na Sonae Arauco e gestão dos negócios detidos integralmente, América do Norte e Laminados e Componentes", informa, também que considerando a participação de 50% na Sonae Arauco, a joint-venture criada em 2016 com os chilenos da Arauco, o volume de negócios proporcional foi de 630 milhões de euros, menos 9 milhões que em 2016, o EBITDA recorrente proporcional diminuiu 1 milhão de euros, para 89 milhões, e a dívida proporcional ficou nos 301 milhões.

A promessa de "honrar o legado"

No comentário aos resultados do exercício, Paulo Azevedo, presidente da Sonae Indústria. sublinha "o desempenho positivo nos principais negócios", mas deixa uma nota mais pessoal: "Infelizmente, foi também um ano em que vivemos dois eventos marcantes que deixaram tristeza nas nossas mentes e corações: o falecimento de Belmiro de Azevedo, meu pai e fundador da Sonae Indústria; e a lamentável tragédia ocorrida em duas das nossas fábricas em Portugal, devido aos incêndios florestais".

Sobre as fábricas de Mangualde e Oliveira do Hospital, "gravemente" afetadas pelos incêndios florestais de outubro, assim "como as vidas pessoais" de alguns dos seus trabalhadores, Paulo Azevedo diz que "em resultado do forte compromisso das nossas equipas e do suporte dos nossos stakeholders, em abril, ambas as fábricas estarão novamente operacionais, com melhoria dos ativos industriais e processos de produção"

E deixa um agradecimento aos trabalhadores das duas unidades "pela sua coragem e dedicação com a empresa em circunstâncias extremas vividas durante os incêndios".

No comunicado, há, também, um parágrafo de Paulo de Azevedo sobre o pai. "O ano foi marcado pelo falecimento de Belmiro de Azevedo, líder da Sonae Indústria durante 50 anos. Ele tinha um espírito empreendedor e uma visão e estilo de liderança únicos que o fizeram destacar-se no negócio de painéis de derivados de madeira, com base num sólido modelo de gestão e de recursos humanos, na inovação e num forte conjunto de valores profundamente incorporados. Sentiremos muito a sua falta e faremos o nosso melhor para honrar o seu legado", garante.