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Guerra EUA/China. Construtores alemães sob pressão

BMW e Mercedes são os mais afetados se a taxa de 25% for aplicada. A deslocalização é um cenário possível.

Os fabricantes alemães da indústria automóvel como a BMW e a Daimler/Mercedes estão na primeira linha de lesados se a tensão comercial entre os Estados Unidos e a China se agravar. As marcas sentem uma pressão crescente para reforçar a produção dos seus utilitários desportivos (SUV's) fora dos Estados Unidos, o que teria um efeito desfavorável nas suas unidades americanas.
Pequim ameaça com a aplicação de uma taxa de 25 cento sobre os automóveis importados dos Estados Unidos.

A medida afetará 270 mil veículos - mais de metade são de construtores alemães. De um negócio de 11 mil milhões de dólares (9 mil milhões de euros), as marcas alemães representam 63 por cento - 7 mil milhões (5,7 mil milhões de euros).

BMW é a mais afetada

A BMW, a maior exportadora de veículos dos Estados Unidos em termos de valor, tem a sua maior fábrica em Spartanburg, na Carolina do Norte. O impacto seria de 965 milhões de dólares. Para a Daimler/Mercedes o efeito da tarifa seria de 765 milhões de dólares, de acordo com analistas do banco de investimentos Evercore, citados pela Reuters

Na prática, a tarifa da China sobre os automóveis "é uma ofensiva sobre o sul da Alemanha e não sobre os Estados Unidos", comentaram à Reuters os analistas do Evercore.

Uma taxa adicional de 25 por cento "teria um impacto negativo de 1,73 mil milhões de dólares em empresas do sul da Alemanha" - a sede da BMW é Munique e da Mercedes Estugarda.

Deslocalizar produção

A BMW fabrica na base americana os seus utilitários desportivos X3, X4, X5, X6 e X7. A disputa comercial aumentará a pressão para desviar a produção de modelos para outros mercados.

O problema é que uma operação de deslocalização de uma base para outra arrasta custos elevados e demora meses a ser realizada. É uma decisão que tem de ser tomada "numa lógica de longo prazo", segundo um responsável do construtor alemão. A decisão da BMW terá em conta o polo de Spartanburg e as bases no México, "numa visão a 20 ou 30 anos". "Se mudássemos de estratégia ao sabor de um tweet, ficaríamos loucos", referiu o mesno responsável à Reuters.