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Guerra EUA/China “é perigosa e a maior ameaça à economia”, diz presidente do JP Morgan

Xi Jinping e Donald Trump durante a visita do presidente americano à China em novembro passado

JIM WATSON/GETTY

O presidente do JP Morgan está preocupado com a escala da guerra comercial e aconselha Trump a conversar em vez de disparar

A guerra comercial entre os Estados Unidos e a China "representa a maior ameaça à economia mundial", para o presidente do JP Morgan Chase International, Jacob Frenkel.

A crescente disputa entre as duas maiores economias mundiais tem evoluído ao sabor das retaliações mútuas. Esta quinta-feira, Donald Trump avisou que estava a ponderar mais taxas sobre produtos chineses, apontando para valores da ordem dos 100 mil milhões de dólares (81,6 mil milhões de euros).

As ameaças envolvem sempre grandes números. A retaliação de Trump é a resposta à intenção chinesa de rever em alta as tarifas, apontando para valores acima dos 50 mil milhões de dólares (41 mil milhões de euros). Pequim anunciara na quarta-feira uma taxas de 25% sobre 106 produtos importados dos Estados Unidos

Nesta sucessão de episódios, o banqueiro do JP Morgan e antigo conselheiro do Fundo Monetário Internacional não tem dúvidas. Esta guerra comercial “é a maior ameaça e um grande perigo para a economia mundial”.

Escaramuças perigosas

"Ainda não é uma guerra comercial - houve algumas escaramuças e há escaramuças", disse Jacob Frenkel à CNBC esta quinta feira.

O banqueiro recordou a recessão dos anos de 1930. “Todos devemos ter presente o desastre de 1931 - as intenções, para proteger os empregos americanos eram boas, mas o resultado foi um catalisador para a Grande Depressão”.

E “devemos evitar isso a todo custo", acrescentou o banqueiro, advertindo para os riscos ara a economia mundial desta escalada.

Evitar o "olho por olho"

Um mundo “tão interdependente” e uma economia “tão globalizada” não pode acolher guerras bilaterais, correndo o risco da escalada evoluir para uma lógica de ”olho por olho de que resultarão muitas pessoas cegas”.

Interrogado se considera que o governo de Pequim estaria está disponível para negociar, Jacob Frenkel respondeu afirmativamente. "Os chineses são muito racionais", refere. Mas qualquer negociação “tem de ser respeitadora”. É “ conversando e dialogando, sem disparar primeiro”.

O banqueiro, antigo conselheiro económico do FMI, elogiou as políticas económicas de âmbito interno do governo Trump, em particular os cortes de impostos, o estímulo ao investimento e a transferência de receitas geradas no exterior.

  • Abílio Ferreira

    Iniciou a carreira no diário Comércio do Porto, em 1977, seguindo para o Semanário e Visão, antes de ancorar no Expresso. Pertence à delegação do norte e opera preferencialmente na fileira da economia.