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Mais €1 milhão para acelerar startups ligadas à economia do mar

Fundações Calouste Gulbenkian e Oceano Azul criam em conjunto um acelerador de empresas na área da economia do mar. Segundo Paula Vitorino, ministra do Mar, já há €600 milhões de apoios disponíveis nesta área para "fazer vingar modelos de negócio sustentáveis na bioeconomia azul"

Foi assinado quarta-feira um protocolo de colaboração entre a Fundação Calouste Gulbenkian e a Fundação Oceano Azul para o "desenvolvimento sustentável da economia do mar" que já se materializou no lançamento de um programa acelerador de 'startups' nesta área, o Blue Bio Value.

O programa Blue Bio Value que arrancou agora envolve apoios de €1 milhão no prazo de três anos para "aceleração de 'startups' ligadas à bioeconomia azul". Começa a receber candidaturas em junho, prevendo estar a partir de setembro já a apoiar projetos.

A ministra do Mar, Ana Vitorino, que esteve presente na assinatura deste protocolo que decorreu em Lisboa, no Oceanário, adiantou que já existem apoios de várias fontes, totalizando €600 milhões, destinados a "fazer crescer e vingar modelos de negócio sustentáveis" de 'startups' ou empresas existentes ligadas à economia do mar.

Neste pacote de apoios de €600 milhões, o destaque vai para o Fundo Azul, criado em 2016 para "apoiar o desenvolvimento da economia oceânica, de startups azuis, da investigação científica e da proteção e monitorização do meio marinho", que já está avançar apoios no valor de €1 milhão para uma uma série de projetos na área da 'biotecnologia azul'. Ao Fundo Azul, junta-se o programa EE Grants, com uma dotação de €45 milhões, e o Mar 2020, com €508 milhões, resultado este último dos apoios comunitários destinados especificamente às pescas e toda a economia do mar no âmbito dos fundos Portugal 2020.

Rede Nacional das Áres Marinhas Protegidas lançada já em abril

Ana Vitorino lembrou que a economia do mar a nível global gera cerca de 1,5 triliões de dólares anuais, segundo a OCDE, com perspetivas de duplicar até 2030 e num crescimento mais rápido que a economia em geral. E que em Portugal, segundo a Conta Satélite do Mar, representa 3,1% do Valor Acrescentado Bruto (VAB) e 3,6% do emprego no país.

Frisando ser muito relevante o programa de apoios à economia do lançado pelas fundações Gulbenkian e Oceano Azul, "instituições privadas de interesse público", a ministra do Mar adiantou que teve de batalhar "a convencer os parceiros do Governo a aproveitar toda a flexibilidade dos fundos 2020 para a economia do mar indo além das pescas", e em conjunto com o programa das duas fundações "podem-se criar outras oportunidades".

Já em abril, vai ser lançada em Portugal a Rede Nacional de Áreas Marítimas Protegidas (RNAMP), anunciou Ana Vitorino - lembrando que assumiu em junho de 2017, na ONU em Nova Iorque, o compromisso de aumentar o espaço das zonas costeiras e marinhas sob jurisdição nacional para 14%, indo além dos 10% assumidos pela Comissão Europeia.

"Esta ainda é uma área emergente a nível europeu e Portugal nestas matérias tem sido líder. Vamos fazer acontecer a economia circular azul", apelou a ministra do Mar, garantindo ter manifestações de interesse por parte de "vários grupos económicos da chamada economia azul que querem instalar-se em portugal, como por exemplo da Noruega".

"Temos de ter consciência que somos uma das grandes nações marítimas do mundo. Mais que uma oportunidade, Portugal tem de ser um polo relevante e estar na linha da frente da nova economia ligada ao mar", reiterou José Soares dos Santos, presidente da Fundação Oceano Azul. "E aqui não podemos demorar o tempo que demoraram por exemplo as questões do clima. O tempo do planeta é diferente do tempo do homem, e para nós falar de um prazo de 20 anos é uma imensidão face aos desafios que a crise dos oceanos coloca".