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Ryanair garante que não há sanções para substitutos de grevistas

Roman G. Aguilera

Companhia aérea de baixo custo desmente as informações que dão conta de “ações legais que vão ser tomadas contra tripulantes de bases não portuguesas que operaram voos de e para Portugal”, assim como outras sanções

A transportadora aérea Ryanair garantiu esta terça-feira apoio aos seus trabalhadores e que não há sanções, como ações legais, contra os tripulantes de cabine que substituíram os grevistas em Portugal na quinta-feira e no domingo.

"Não devem estar preocupados de maneira alguma sobre as falsas alegações [de sanções]: a empresa apoia os nossos funcionários a 100%. Há risco zero que algum tripulante perca a sua licença de voo ou identificação do aeroporto", lê-se num memorando datado desta terça-feira e enviado aos trabalhadores, a que a agência Lusa teve acesso.

No texto negam-se as "numerosas falsas alegações que circulam nas redes sociais nos últimos dias, reivindicando que ações legais vão ser tomadas contra tripulantes de bases não portuguesas que operaram voos de e para Portugal", assim como outras sanções.

"Essas alegações são completamente falsas e estão a ser feitas por pessoas que tentam intimidar-vos com falsas alegações e causar o máximo de perturbação aos nossos clientes", segundo o documento assinado por Andrea Doolan, responsável pelas operações de planeamento de voos.

Os tripulantes de cabine de bases portuguesas da transportadora de baixo custo cumprem na quarta-feira o último de três dias não consecutivos de greve para exigirem a aplicação da lei nacional.

O texto agora conhecido começa por referir a "perturbação menor" provocada aos clientes na quinta-feira e domingo de Páscoa por tripulantes de bases portuguesas e garante que "a vasta maioria dos voos das bases de Portugal operaram com normalidade", com a colaboração de trabalhadores e reversões de outras bases.

Essas reversões podem levar, por exemplo, a que um voo previsto para Lisboa-Paris, passe a ser Paris-Lisboa-Paris.

A companhia irlandesa garante apoiar a 100% os seus funcionários, a quem sugere que peçam "conselho por escrito" aos que têm divulgado as "falsas alegações".

"E depois deixem-nos saber para o email abaixo, para que possamos adotar as ações legais apropriadas contra essas pessoas ou sindicatos que fazem essas falsas alegações", adianta o mesmo memorando, onde se lê ainda que o trabalho das tripulações fora de Portugal nos dois dias de greve decorreu "sem dificuldade e sem interferência de qualquer autoridade em Portugal".

A companhia referiu que devem ser cumpridas as obrigações contratuais e que "não se podem escolher os voos para operar".
"Se abandonar o seu dever por recusa de operar voos como ordenado pela empresa será considerada como falta grave no âmbito de procedimento disciplinar, para a qual a sanção habitual é o despedimento", segundo a Ryanair, que garantiu estar a gerir casos de 'ciber-bullying' e que "não irá tolerar intimidação e assédio dos colegas por se juntarem à greve ou por recusa em operar fora da base".

"Dois tripulantes foram recentemente despedidos por postarem mensagens abusivas e ameaçadoras sobre os seus colegas no Facebook e Whatsapp", segundo o mesmo memorando.

A Comissão Europeia escusou-se esta terça-feira a comentar os problemas da greve da companhia aérea Ryanair, considerando que se trata de um assunto de âmbito nacional.

O Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) tem denunciado, desde o início da paralisação, que a Ryanair substitui ilegalmente grevistas portugueses, recorrendo a trabalhadores de outras bases. A empresa admitiu ter recorrido a voluntários e a tripulação estrangeira durante a greve.

No domingo, a Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) anunciou ter desencadeado uma inspeção na Ryanair em Portugal para avaliar as irregularidades apontadas pelo SNPVAC.