Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Afogados em dados, famintos de sabedoria

Bernardo Ferrão conduziu o debate com (da esq. para a dir.) Carlos Costa Pina (Galp), José Gonçalo Regalado (Millennium BCP), Pedro Penalva (AON) e Tiago Galvão(Alliance Healthcare)

NUNO FOX

Inteligência artificial: Será essencial para tirar partido da informação gerada, para personalizar experiências e diferenciar serviços

Fátima Ferrão

Os dados são muitos, é difícil convertê-los em conhecimento, e ainda mais complicado transformá-los em inteligência”. Foi com este cenário, que de futurista já tem pouco, que Sandra Miranda Ferreira, customer success lead da Microsoft Portugal, deu o pontapé de saída na apresentação do tema que juntou esta semana um conjunto de empresários e gestores de grandes empresas, da banca ao sector da saúde, passando pelos seguros e pelas utilities, no debate “Inteligência de Dados e Conhecimento”.

O painel, moderado por Bernardo Ferrão, subdiretor de informação da SIC, juntou Carlos Costa Pina, administrador da Galp, José Gonçalo Regalado, diretor de marketing operacional de empresas do Millennium BCP, Pedro Penalva, CEO da AON, e Tiago Galvão, CEO da Alliance Healthcare que, em conjunto, partilharam experiências, analisaram desafios e oportunidades nos seus sectores e em toda a indústria.

Para começar, o desafio passa por tirar partido da informação gerada e acumulada por cada vez mais sistemas de informação mas, também, pelo exercício inverso de perceber quais os dados a ignorar. Diariamente são produzidos terabytes de dados que precisam de ser interpretados, sob pena de se perderem e desperdiçarem oportunidades. Diz a consultora IDC que, em 2020, os dados produzidos serão superiores à informação disponível nos últimos 30 anos. Um autêntico pesadelo para gerir, analisar e dar sentido, e um “longo caminho a percorrer para retirar todo o seu potencial”, reforça Carlos Costa Pina.

No entanto, revela a mesma consultora, as empresas que consigam interpretar os dados mais relevantes e transformá-los em conhecimento terão ganhos potenciais que ascenderão aos 374,4 mil milhões de euros, a nível mundial. “Os dados são ativos cada vez mais valiosos”, confirma Pedro Penalva. “As empresas que demonstrarem maior capacidade de resiliência na sua análise terão enormes vantagens competitivas”, salienta.

“Maior agilidade, processos e modelos de negócio reinventados, ou personalização de produtos e serviços serão potenciados com a transformação dos dados”, reforça Sandra Miranda Ferreira. E é aqui que, para a responsá- vel da Microsoft, entra a inteligência artificial.

IA: a mais forte aliada
Anualmente, cerca de 44 zetabytes de dados são criados e copiados a nível mundial. “Falamos de 44 triliões de gigabytes, um número que não conseguimos sequer quantificar”, explica Sandra Ferreira. É, por isso, “o momento de tirar partido da inteligência artificial, uma tecnologia que aprende connosco”.

Existem já vários exemplos que fazem da IA uma das principais aliadas do tratamento e transformação de dados. “São coisas do dia a dia, nas quais já nem pensamos, mas que por trás têm a inteligência artificial”, exemplifica a responsável da Microsoft. Desde a caixa de correio eletrónico que ‘escolhe’ as mensagens que sabe que queremos ler, até aos assistentes de calendário que comparam agendas e marcam reuniões, passando por traduções entre diferentes idiomas conseguidas em poucos segundos, esta é já uma realidade.

Mas há muitos outros exemplos. Na banca, como explica José Regalado, há muito que as vendas são potenciadas através dos dados. Aliás, “os dados são o ouro dos tempos modernos”, reforça. Atualmente, no Millennium BCP, o desafio passa por aproveitar o facto de mais de 90% das transações de clientes empresariais serem feitas no universo digital e potenciar uma oferta à medida, usando ferramentas analíticas. “Há cada vez mais serviços disponíveis nas apps empresariais e a digitalização está a acelerar ainda mais este desenvolvimento”, acrescenta.

Já no sector da saúde há, como refere Tiago Galvão, “um enorme potencial de conhecimento”. Só a rede de farmácias nacional conta com cerca de 3000 pontos de contacto que gerem dados de milhões de utentes. Esta rede, explica, “pode gerar milhares de milhões de euros de poupanças se os dados forem transformados em Bernardo Ferrão conduziu o debate com (da esq. para a dir.) Carlos Costa Pina (Galp), José Gonçalo Regalado (Millennium BCP), Pedro Penalva (AON) e Tiago Galvão (Alliance Healthcare) conhecimento”. No futuro, “caminhamos para a era dos tratamentos personalizados, o que beneficiará os utentes e poupará milhões ao Estado”.

Apesar de uma crescente regulação ao nível da proteção de dados, é preciso não esquecer que a gestão de informação de terceiros é um assunto sensível. “Todos os cuidados e mecanismos de proteção são essenciais, independentemente do modelo regulatório”, alerta Pedro Penalva. Opinião partilhada por José Regalado: “Somos fiéis depositários da informação confidencial do cliente e não pode haver, a este nível, qualquer quebra de confiança”.

A entrada em vigor da nova diretiva para a proteção de dados dentro de pouco mais de mês e meio está a obrigar as empresas a grandes mudanças e algum investimento. Na Galp, conta Carlos Costa Pina, foi criado o cargo de Data Protection Officer (DPO) com o objetivo de zelar pela proteção da informação, mas também para repensar toda a estratégia de disponibilização dos mesmos “sem a qual qualquer modelo de negócio falha”. Já o investimento para garantir a conformidade da petrolífera com as novas exigências supera os 10 milhões de euros, revela o administrador.

Em abril debatemos gestão

Depois de analisados temas como a cibersegurança, a mobilidade e, agora, a inteligência de dados, vamos debater em abril, na próxima etapa de “Ativar o Futuro”, projeto conjunto do Expresso e da Microsoft, a importância da gestão e da performance nas empresas. Em maio estaremos focados no consumidor e em junho na captação de talentos. Serão mais três mesas-redondas nos próximos três meses. Para saber mais sobre “Ativar o Futuro” reveja todos os debates no nosso site.

As três conclusões do debate

Transformar dados em informação útil será vantagem competitiva
As organizações que o façam estarão à frente nos seus sectores e mercados. A transformação de dados potencia a agilidade do negócio, permite reimaginar processos e explorar novos modelos e oportunidades

Utilização da Inteligência Artificial (IA) será essencial
A tecnologia aprende com o utilizador e adapta-se às suas necessidades. Em 2025, 95% das interações de empresas com os clientes serão potenciadas por bots de IA

Privacidade e proteção de dados já são fundamentais
Uma relação de confiança com o cliente é essencial para qualquer organização. O modelo regulatório está mais exigente, obrigando as empresas a estar alerta no que se refere à privacidade e proteção de dados

Megabytes

44
triliões de gigabytes de dados são criados e copiados anualmente

96,9
biliões de euros de lucro adicional nas empresas foram gerados pela inteligência artificial em três anos

347,4
mil milhões de euros serão os benefícios potenciais das organizações que consigam analisar dados relevantes e transformá-los em conhecimento em 2020

Ativar o Futuro

Expresso e Microsoft associam-se em 2018 para discutir as grandes questões tecnológicas para as PME e as grandes empresas em seis debates, que se realizam até junho. Acompanhe o projeto nas plataformas do Expresso

Textos originalmente publicados no Expresso de 30 de março de 2018