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Fundo de €200 milhões vai abrir ao mercado em abril

Veículo que junta dinheiros públicos e privados para investir em pequenas e médias empresas arranca “dentro de um mês”

Ana Teresa Lehmann, secretária de Estado da Indústria

Ana Teresa Lehmann, secretária de Estado da Indústria

alberto frias

Foi anunciado pelo Governo em 2016, na Web Summit, criado em outubro do ano passado, vai ser gerido pela PME Investimentos e chegar ao mercado “dentro de um mês”. Assim garante Ana Teresa Lehmann, secretária de Estado da Indústria, em declarações ao Expresso. O chamado Fundo 200M é um “fundo de coinvestimento, em que €100 milhões de dinheiros públicos vão alavancar €100 milhões de privados. Ou seja, o dinheiro público vai acompanhar as verbas privadas. O que se pretende-se atrair o investimento de entidades qualificadas para uma fase mais avançada do ciclo de vida da startup, numa fase de apoio à escalabilidade e à internacionalização”, adianta a governante.

A PME Investimentos vai ser a entidade gestora do fundo, que tem uma duração prevista até ao final de 2020 e o objetivo de operações de investimento de capital e quase capital em pequenas e médias empresas com projetos de inovação de produto ou processo.

Mas ainda antes do verão, revela a secretária de Estado, haverá mais margem para a entrada de capital nas pequenas e médias empresas. Neste caso estrangeiro, através de duas redes internacionais de apoio ao empreendedorismo, que vão instalar-se em Portugal. “Redes que têm origem nos Estados Unidos e funcionam em vários países. Uma apoia mulheres empreendedoras, outra apoia startups, pequenas e médias empresas”, adianta Ana Teresa Lehmann.

Vem aí a Zona Livre 
Tecnológica

Outro mercado “enorme de atração de investimento” está a ser a estudado em resultado das primeiras conclusões do grupo de trabalho para as fintech criado pelo Governo. “Já foram realizadas duas reuniões e estamos a tratar de finalizar um documento estratégico. Numa primeira fase reunimos com startups e agora estamos a tratar dos temas regulatórios. Mas já temos ideias muito estratégicas de como vamos avançar”, afirma a secretária de Estado.

Em cima da mesa está o conceito de Zona Livre Tecnológica, que “é o espaço físico ou regulatório que proporciona a experimentação de novas tecnologias, a atração de investimentos para iniciativas de teste. E isto pode representar um mercado enorme, tanto do ponto de vista de gerar desenvolvimentos tecnológicos do lado da oferta como do lado da procura por entidades externas de um ecossistema favorável a iniciativas de testes”. A governante dá o exemplo mais referenciado que é o da possibilidade de haver uma zona livre tecnológica para a área da mobilidade, quer horizontal (veículos autónomos) quer vertical (drones).

Agora, acrescenta, “estamos a estudar a possibilidade de alargar o conceito às fintech, no sentido de proporcionar um ambiente em que se possa experimentar tecnologias ligadas às fintech, mas com uma regulamentação própria de teste, com a criação de uma sandbox regulatória” (regime que existe em vários países e que permite às fintech testarem os seus produtos, serviços e modelos de negócio, em tempo real, durante um determinado período de tempo, com acompanhamento por parte dos reguladores).

Mas o mercado “enorme de atração de investimento” a que Ana Teresa Lehmann se refere é o da saúde. “A novidade é que andamos a pensar em alargar (o conceito de Zona Livre Tecnológica) a outros sectores também. Queremos estudar e executar também uma zona livre tecnológica na área da saúde. É a maior produtora de ciência em Portugal, logo, além da grande oportunidade que há ao nível da translação da ciência para o mercado, podemos também determinar que certo ambiente é uma zona livre tecnológica. Um determinado hospital ou departamento que tenha uma visão progressista pode ser um espaço privilegiado para, por exemplo, fazer ensaios clínicos de uma especialidade”, revela.

“Isto pressupõe uma cuidadíssima articulação entre os vários ministérios, as entidades regulatórias e outro tipo de agentes. Pode acontecer em vários hospitais e é um mercado enorme de atração de investimento e de atração de laboratórios de grandes empresas multinacionais, farmacêuticas, de life science ou biotecnologia”, acrescenta.

Pensar na cibersegurança
 e na blockchain

A par das conclusões do grupo de trabalho para as fintech, a secretária de Estado da Indústria vai criar mais dois. Um para a cibersegurança e outro para a blockchain, tecnologia na qual a moeda virtual bitcoin assenta, mas que consiste na digitalização da informação num sistema descentralizado.

“Hoje em dia a soberania está nos dados. Vamos criar um grupo de trabalho, no próximo mês, para potenciar a aplicação da cibersegurança da indústria, quer para capitalizar o conhecimento que existe em Portugal e que pode contribuir para a atração de investimento estrangeiro”, avança a governante.

O outro grupo de trabalho irá refletir na “aplicação horizontal da blockchain transversal à generalidade dos sectores”, afirma Ana Teresa Lehmann. “Há uma associação redutora da aplicação da blockchain às criptomoedas. A blockchain é a tecnologia que está por trás do fenómenso das criptomoedas, mas é muito mais do que isso. Temos em Portugal, por exemplo, uma startup que aplica blockchain para o rastreio do pescado, a Bitcliq. A blockchain pode ser aplicada para a agricultura, para a aeronáutica. Eu diria que se pode aplicar a tudo”, afirma.