Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Dicas de poupança: IRS - englobo ou não englobo?

d.r.

O “englobamento” é a possibilidade que a Autoridade Tributária dá todos os anos de o contribuinte optar por incluir os seus outros rendimentos, para além do salário, nos rendimentos “normais”

Pedro Andersson

Com o englobamento dos rendimentos, é como se eles fossem parte do salário, em vez de serem tributados às taxas específicos de cada um. São os casos de juros de depósitos a prazo, rendas (caso seja senhorio), pensão de alimentos, ações, dividendos e rendimentos no estrangeiro. Pode compensar ou não, conforme os seus rendimentos e deduções. Tem de simular todos os anos.

E não tem de englobar todos os rendimentos, apenas os que lhe interessarem. Por exemplo, pode declarar os juros de depósitos a prazo, mas não rendas. Ou vice-versa. Pode declarar pensão de alimentos, mas não juros do banco, e assim sucessivamente. Pode receber mais algumas dezenas, centenas ou até mais mil euros, consoante os casos.

A quem pode isto interessar?

O englobamento interessa sobretudo a quem tem menos rendimentos, embora também se possa aplicar a quem tem muitas deduções mas com rendimentos superiores.

Por exemplo, se os seus pais, avós ou tios têm uma reforma pequena mas algum dinheiro no banco ou uma casa arrendada, então é mesmo essencial que percebam a vantagem de simular o englobamento. Talvez recebam um inesperado subsídio de férias. Em teoria, pode receber mais 50, 100, 150, 400 ou até mais 1.000 euros de IRS só por colocar uma cruzinha no seu IRS.

A pergunta se quer englobar ou não aparece nos vários Anexos do IRS. Não passe por ela sem simular o sim e o não.

Um exemplo concreto

Vamos a um exemplo. ”António” ganha 650 euros por mês. Com as deduções específicas previstas na lei, as Finanças consideram que, do que ganha, 4.996 euros vão ser taxados no IRS. Como está abaixo dos 7.091 euros, fica no escalão dos 14,5%. Portanto tem a pagar de imposto 724 euros.

Mas António apresentou 850 euros de despesas dedutíveis. Como isso é mais do que o imposto a pagar, vai “perder” 126 euros em deduções, que não vão servir para nada. O Estado não deduz mais do que aquilo que o contribuinte paga de imposto.

Por outro lado, António tem uma casa arrendada, por isso tem de entregar o anexo F. Recebe de rendas 500 euros por mês, o que dá um rendimento anual de 6 mil euros. Teve 1.000 euros de despesas com a casa por isso as Finanças só vão considerar 5 mil euros de rendimento. Por regra, se não disser nada, as rendas são tributadas a 28%. Portanto, António terá de pagar 1.400 euros de imposto.

Vamos ver agora a diferença que faz optar pelo englobamento. António ganhou na mesma os 650 euros por mês, mas colocou a cruzinha no “englobamento” das rendas. A partir desse momento, para a Autoridade Tributária os 5.000 euros de renda passam a ser tratados como rendimento normal do contribuinte. António de repente passou a ter 9.996 euros de matéria coletável para calcular o imposto.

Lembra-se que até 7.091 euros a taxa de IRS é de 14,5%? Pois bem, a diferença das rendas passa para o espaço que sobrava caso não optasse pelo englobamento. Nesta parte, em vez de pagar 28% paga apenas 14,5%,ou seja vai pagar menos 13,5% de imposto nesta parcela.

Mas e no resto que sobra, não vai pagar mais? Vai. Vai pagar 28,5%, em vez de 28%. Mais meio por cento. Mas a parcela anterior compensa - e muito - essa diferença.

Somando as duas parcelas de imposto, e descontando as mesmas deduções, vai pagar 1.005 euros de IRS.

Em resumo: sem englobamento ia pagar 1.400 euros. Com englobamento, vai pagar apenas 1.005 euros. Uma diferença de menos 395 euros.

Se tem depósitos a prazo e recebe juros, pode voluntariamente decidir acrescentá-los no IRS e englobá-los. Pode ter uma agradável surpresa. Nunca se sabe o que pode mudar.

Os campos a testar

Portanto, se entrega algum destes Anexos no IRS, não se esqueça de testar a cruzinha do englobamento:

O A se declara pensão de alimentos;
O E se recebeu juros de contas a prazo, de certificados ou de dividendos;
O F se recebe rendas;
O G para mais valias de ações;
e o J se tem rendimentos no estrangeiro.

Tudo isto parece complicado. Mas não é assim tanto. Basta que inclua no IRS todos os seus rendimentos: os obrigatórios - como pensões de alimentos, rendas, ações e rendimentos no estrangeiro - e os facultativos, como juros dos depósitos a prazo e dividendos de empresas que já foram tributados a 28% quando os recebeu. Depois vai testando... com a cruzinha no sim ou no não.

Quem sabe se, até com multa, pode corrigir o IRS do ano passado? Informe-se junto das Finanças.

A parte boa é que não tem de saber fazer estas contas. O simulador do Portal das Finanças faz estas contas todas por si. Não se esqueça de fazer isto a partir do dia 1 de abril, quando começa o prazo da entrega do IRS. Está quase. Simula com o sim, simula com o não e escolhe a opção que lhe render mais de reembolso. Simples.