Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Indústria 4.0 soma financiamento de €700 milhões desde 2017

LUCILIA MONTEIRO

Perto de 80% das medidas previstas no programa já foram executadas ou estão em curso, garante o Governo

Em 2017 e nos primeiros meses deste ano “já abriram avisos com dotação total de mais de €700 milhões para a Indústria 4.0 ou com majoração ou critérios de mérito que envolvam a inclusão de características da Indústria 4.0”, revela Ana Teresa Lehmann, secretária de Estado da Indústria. Concursos e projetos ao abrigo do programa Compete 2020, ao nível de “inovação produtiva, reequipamento ou empreendedorismo qualificado e criativo”, adianta a governante.

O Vale Indústria 4.0, por exemplo, consiste num apoio até €7500 para empresas que estejam a dar os primeiros passos na digitalização, tem uma dotação total de €12 milhões e abriu a primeira fase de concurso com €4,2 milhões. As candidaturas superaram em três vezes a dotação total disponível, estando os resultados finais em fase de apuramento.

Medidas executadas

“O Indústria 4.0 é o nosso programa de bandeira. É um programa a quatro anos, que cumpriu o primeiro ano de vida e em que 50 (78%) das 64 medidas anunciadas já estão executadas ou em execução, ou seja, 50 das 64”, contabilizada, exemplificando com medidas como as learning factories, de que a Academia Siemens (i-experience 4.0 center, inaugurado em fevereiro) é exemplo, a aceleradora 4Scale, baseada no CEIIA, em Matosinhos, em que “um conjunto de startups em aceleração ligadas à mobilidade ou ao hardware, baseado em princípios de Indústria 4.0”, explica Ana Teresa Lehmann.

Para a secretária de Estado, o Indústria 4.0, “mais do que um desafio tecnológico, é um desafio humano, um desafio social. Por isso, o tema da formação, qualificação e requalificação de recursos humanos é central. Conseguiremos modernizar e digitalizar a nossa indústria se os recursos humanos estiverem preparados para essa realidade”. A esse propósito, refere o Incode 2030, “um programa transversal no Governo, que visa dotar de competências digitais dezenas de milhares de pessoas e sensibilizar a população para a aquisição de competências digitais”.

Ao nível da formação, além das learning factories, já foram implementadas medidas como o programa Atelier Digital, em parceria com a Google Portugal (mais de 35.000 pessoas formadas), o programa de formação da Deloitte, em parceria com o Instituto Superior Técnico e o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores (INESC), que consiste num programa de formação em software e Engenharia de Sistemas de Informação (três edições, num total de 140 alunos).

Ana Teresa Lehmann faz ainda referência ao programa Interface, que está em curso, e “é transversal na economia e na ciência, tecnologia e ensino superior, e visa aproximar academias, centros tecnológicos e empresas, onde há iniciativas como os Laboratórios Colaborativos (tendo sido recentemente aprovado em conselho de ministros um financiamento de €26,8 milhões para avançar com estes laboratórios)”, exemplifica.

Com o propósito de uma maior colaboração tecnológica entre as empresas, foram também implementados os open days (sessões de demonstração), para “ver em ação novas tecnologias, produtos, realidades”, refere. O mais recente, aconteceu “na Riopele (têxteis), com visita das PME, e vamos ter nas indústrias da aeronáutica, da cerâmica, e outras”.