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Pingo Doce quer entrar na entrega de refeições em casa

nuno botelho

Encomenda de comida para a Páscoa cresce 30%. App digital é a próxima aposta

O cheiro a sopa no ar vai-nos guiando entre corredores até ao coração da cozinha central do Pingo Doce, em Odivelas, onde se põem em marcha os preparativos para dar vazão aos 2000 tabuleiros de arroz de pato e outros tantos de bacalhau com natas, os dois pratos mais pedidos no serviço de encomendas de refeições, que na Páscoa cresceu 30% face à mesma época do ano passado.

No Natal de 2017, esta área de negócio tinha crescido 50% em relação ao ano anterior, mas desde 2004 que o Pingo Doce percebeu que as novas tendências de consumo iriam fazer explodir a procura de refeições cozinhadas para comer em casa.

A cozinha central do Pingo Doce em Odivelas é, com 5000 metros quadrados, o maior dos três espaços onde a cadeia de grande distribuição da Jerónimo Martins confeciona a comida que fornece não só para o mais recente serviço de encomendas permanentes (além das encomendas dos menus especiais de Páscoa e de Natal) como para os restaurantes e o pronto a levar instalados nas lojas Pingo Doce. Os outros dois espaços de cozinha são em Gaia e em Aveiro, servem as lojas Pingo Doce do norte do país e têm 600 e 900 metros quadrados, respetivamente.

Clássicos são os preferidos. O bacalhau mariscado (na foto) foi uma das inovações introduzidas na ementa da Páscoa, mas o bacalhau com natas e o arroz de pato são os pratos principais mais procurados, com 2000 tabuleiros vendidos cada um. João Freitas, responsável do negócio de soluções de refeições do Pingo Doce, refere que a procura de comida saudável está a crescer, mas ainda tem pouca expressão

Clássicos são os preferidos. O bacalhau mariscado (na foto) foi uma das inovações introduzidas na ementa da Páscoa, mas o bacalhau com natas e o arroz de pato são os pratos principais mais procurados, com 2000 tabuleiros vendidos cada um. João Freitas, responsável do negócio de soluções de refeições do Pingo Doce, refere que a procura de comida saudável está a crescer, mas ainda tem pouca expressão

nuno botelho

João Freitas, responsável pela área de negócio de soluções de refeições (que inclui restaurantes nas lojas, pronto a levar e encomendas), avança que este ano as três cozinhas juntas deverão produzir 10 mil toneladas de pratos, sobremesas e sopas. As encomendas que estão prontas 48 horas depois de ter sido feito o pedido continuam a aumentar, e nos restaurantes do Pingo Doce são servidas mais de 10 mil refeições por dia, o que faz desta cadeia a quinta maior do país em restauração, segundo dados do Instituto Marketing Research, fornecidos pela cadeia de distribuição.

O negócio corre tão bem que João Freitas garante que a ideia é começar a fazer entregas também em casa e num curto espaço de tempo, num serviço semelhante ao que é oferecido pela Uber Eats ou a Glovo. É que o serviço de encomendas, até agora, é feito por telefone ou no supermercado, e a entrega da comida é feita numa loja Pingo Doce à escolha. As refeições são preparadas durante a tarde e confecionadas à noite, para de manhã seguirem para o centro logístico, de onde é feita a distribuição para as 422 lojas que compõem a rede do Pingo Doce.

App própria ou já existente

“Há hipótese de fazer essas entregas em casa com uma aplicação própria ou com uma já existente. Já estamos, por exemplo, no Mercadão. Há um grande crescimento da comida pronta a comer, e o futuro é a entrega ao domicílio”, avança João Freitas, sem contabilizar o investimento que estará envolvido nesta aposta.

João Freitas, responsável do negócio de soluções de refeições do Pingo Doce, refere que a procura de comida saudável está a crescer, mas ainda tem pouca expressão.

João Freitas, responsável do negócio de soluções de refeições do Pingo Doce, refere que a procura de comida saudável está a crescer, mas ainda tem pouca expressão.

nuno botelho

Em relação à data em que o serviço será lançado, João Freitas diz que ainda não está definida, porque é necessário ajustar a cozinha. “Estamos a produzir a mais de 80% da capacidade instalada, e só vamos dar esse passo quando tivermos capacidade para dar resposta às entregas em casa”, justifica, explicando que a adequação passará pela otimização de processos e de equipamentos, num projeto que começará na cozinha de Odivelas, de onde sai 80% do pronto a comer.

Fora deste processo fica a mecanização de determinadas preparações culinárias que o Pingo Doce considera indispensável manter de forma artesanal, como o desfiar do pato e do bacalhau à mão ou o enchimento manual das formas de pudins e dos tabuleiros com a comida. Só na fábrica de Odivelas, junto ao Pingo Doce do Strada Outlet, trabalham 180 pessoas, em três turnos, 24 horas por dia, exceto aos domingos, que estão reservados para limpezas gerais e manutenção dos equipamentos.

Até a sopa, um dos produtos mais procurados (com um peso de 40% nas vendas) e cuja presença na cozinha se sente pelo cheiro no ar, é feita em panelas gigantes com varinhas mágicas, que vão triturando os legumes.

O caminho das cozinhas próprias foi sendo ajustado às necessidades de produção. Começou em 2006 com uma cozinha nos Olivais e outra em Gaia, seguindo-se outras em Peniche e em Évora (2007) e em Aveiro (2009). As dos Olivais, Peniche e Évora foram encerradas por terem pouca capacidade de produção para responder à procura.

Em Odivelas houve uma primeira localização em 2009, com mil metros quadrados de área, mas um ano e meio depois percebeu-se que estava subdimensionada tendo em conta a aceleração que o negócio estava a ter. Foi necessário encontrar uma área maior para construir uma nova cozinha, o espaço onde atualmente e desde 2011 se encontra o abastecimento para o centro e sul do país.

Apesar de ainda representar uma pequena parte do negócio, as encomendas são uma aposta, devido ao crescimento das vendas na Páscoa e no Natal, bem como no verão, principalmente no Algarve. Além de folhetos específicos para as épocas festivas, o Pingo Doce lançou em junho de 2017 um serviço de encomendas permanentes durante o ano inteiro, disponível em 100 lojas em Lisboa e em 30 lojas no Algarve, com entregas 48 horas depois de feito o pedido.

“Usamos o processo de cook and chill, de comida fresca refrigerada, que é confecionada e depois vai para túneis de frio, que garantem que o sabor se mantém. O único conservante que usamos é o frio”, garante o responsável de soluções de refeições, área que representa entre 2% e 3% ou 5% e 6% do negócio do Pingo Doce, dependendo das lojas — no norte e no interior, a comida pronta tem menos peso, devido a questões culturais e de estilo de vida.