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Risco nas tecnológicas mergulha bolsas mundiais no vermelho

A crise de confiança no Facebook e a preparação de medidas da Administração Trump para bloquear investimentos chineses no sector tecnológico norte-americano levaram Wall Street para o vermelho na terça-feira, o que arrastou as bolsas mundiais. Contágio abala Ásia e Europa, que abrem esta quarta-feira com perdas

Jorge Nascimento Rodrigues

Quando se julgava que, depois de uma semana negra nas bolsas, a acalmia regressara aos mercados financeiros esperançados em que Estados Unidos e China cheguem a um entendimento comercial, o nervosismo regressou em pleno.

As duas bolsas de Nova Iorque fecharam na terça-feira no vermelho. O índice MSCI para os Estados Unidos recuou ontem 1,75%, depois de ter registado ganhos na segunda-feira com os investidores na expetativa que as negociações entre Washington e Pequim travem uma guerra comercial.

Os investidores foram sacudidos pela perspetiva de uma ofensiva da Administração Trump contra os investimentos chineses em empresas tecnológicas norte-americanas, o que poderá desencadear um efeito dominó num sector profundamente interligado à escala mundial.

A queda bolsista nos EUA arrastou o índice MSCI mundial para terreno negativo, registando uma perda de 0,6%. O nervosismo em Wall Street anulou os ganhos registados durante o dia na Ásia e na Europa.

O contágio alastrou esta quarta-feira para a Ásia, com todos os principais índices bolsistas a fecharem no vermelho. O índice Hang Seng de Hong Kong lidera as quedas na região, com perdas de 2,5%. Nas duas mais importantes bolsas da região, o índice Nikkei 225 perdeu 1,3% em Tóquio e o índice composto de Xangai caiu 1,4%.

A abertura na Europa fez-se, também, no vermelho. Frankfurt e Zurique lideram as quedas matinais. Em Lisboa, o PSI 20 segue a tendência negativa europeia.

Trump prepara bloqueio a investimentos chineses

O otimismo de segunda-feira deu lugar na terça-feira ao pessimismo no New York Stock Exchange (NYSE) e no Nasdaq (a bolsa das tecnológicas) depois de se tornar claro que o secretário do Tesouro norte-americano Steven Mnuchin está a estudar um plano de medidas que bloqueie investimentos chineses nas tecnológicas dos EUA, avançou a Bloomberg. O presidente Trump deu dois meses a Mnuchin para concretizar a ofensiva.

Juntamente com a crise de confiança no Facebook em crescendo, o impacto negativo foi ontem assinalável sobretudo no sector norte-americano das tecnologias.

Quedas em todos os índices tecnológicos

O índice Nasdaq composto perdeu quase 3% na terça-feira, liderando as quedas mundiais nos principais índices. O índice Nasdaq Internet caiu quase 4% e o índice para as tecnológicas abrangidas pelo S&P 500 perdeu 3,5%.

A Netflix liderou as quedas entre as 10 grandes da tecnologia norte-americana em capitalização bolsista superior a 130 mil milhões de dólares (€104 mil milhões), com uma perda de mais de 6%. Seguiram-se entre estas tecnológicas de referência, perdas de 4,9% no Facebook, 4,6% na Microsoft e 4,5% na Alphabet Inc (holding da Google). A Cisco e a Amazon registaram quedas superiores a 3%.

A título de referência, o grupo das 10 maiores da tecnologia nas bolsas norte-americanas abrange, por ordem decrescente de capitalização, as seguintes cotadas: Apple, Amazon, Alphabet, Microsoft, Facebook, Intel, Cisco, Oracle, IBM e Netflix.

No sector das tecnológicas do índice S&P 500 de Wall Street, as maiores quedas diárias foram registadas na Nvidia (envolvida desde a produção de microchips até a carros autómatos) e na Adobe, com perdas acima de 6,5%.

Um outro índice que está a ser seguido com particular atenção pelos investidores é designado por FANG Plus no NYSE, integrado por 10 tecnológicas. Além das quatro que integram o acrónimo FANG (Facebook, Amazon, Netflix e Google), estão incluídas no índice a Apple, Baidu (chinesa), Alibaba (chinesa), Twitter, Tesla e Nvidia. O FANG Plus caiu ontem 5,63%. Destacaram-se nas quedas, o Twitter com um recuo de 12% e a Tesla com uma perda de 8,22%.