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Mais uma semana sob o signo da ameaça de guerra comercial

Esta é a última semana de março. O comportamento dos mercados de ações esta semana ditará se o mês vai fechar na sexta-feira com perdas acumuladas na maioria das bolsas, ou escapará ao vermelho. O risco de guerra comercial entre os EUA e a China continua a dominar a conjuntura

Jorge Nascimento Rodrigues

O fator internacional mais importante continua a ser o risco de uma guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo, depois da assinatura na semana passada pelo presidente Trump de um pacote de taxas aduaneiras contra a China e de terem entrado em vigor as taxas sobre o aço e o alumínio importados pelos Estados Unidos, ainda que com isenções nomeadamente do Canadá, Coreia do Sul e da União Europeia.

Negociações entre Washington e Pequim, ou escalada de guerra de taxas aduaneiras?

Depois do memorando da Casa Branca impondo taxas sobre um universo até 60 mil milhões de dólares (€48 mil milhões) de importações Made in China e do presidente ter exigido a Pequim um corte “imediato” de quase 1/3 do défice comercial, o anúncio oficial de retaliação chinesa foi considerado “moderado”.

O jornal oficial China Daily adiantou, entretanto, este fim de semana, que poderão estar em preparação mais medidas de Pequim em relação a importações norte-americanas como na aviação e na electrónica e que as autoridades poderão desincentivar o turismo para os EUA. O embaixador chinês em Washington avançou com a possibilidade do Tesouro do seu país reduzir os investimentos em títulos do Tesouro norte-americano, dado ser o principal credor oficial estrangeiro da dívida norte-americana.

Os analistas inclinam-se para que, ainda, é prematuro declarar o estado de guerra comercial global e que as duas partes iniciarão negociações. O secretário do Tesouro norte-americano Steven Mnuchin expressou que está “cautelosamente esperançado” num acordo com a China. Washington pretende ter maior acesso ao sector financeiro chinês e reduzir as tarifas aduaneiras chinesas em relação aos automóveis e semicondutores, adiantou o Wall Street Journal.

China promete abrir no sector financeiro

Uma das áreas em que a China já avançou com a disponibilidade para uma maior abertura foi o sector financeiro. O novo governador do Banco Popular da China, o banco central, Yi Gang declarou este fim de semana que será permitido maior acesso ao sector financeiro e que vão avançar com reformas cambiais, ainda que de “um modo ordenado”, melhorando a própria convertibilidade do yuan, a moeda chinesa.

Dragões chineses lançam IPO em Nova Iorque

Quatro empresas chinesas vão avançar esta semana com Ofertas Públicas Iniciais (IPO, do inglês Initial Public Offering) em Nova Iorque, num momento em que a retórica anti-chinesa da Casa Branca está ao rubro.

O objetivo financeiro das quatro operações é angariar 3,5 mil milhões de dólares (€2,8 mil milhões). O primeiro IPO será da cadeia hoteleira GreenTree Hospitality. Segue-se a Bilibili, uma plataforma muito popular de alojamento de vídeos, e a One Smart International Education. A operação de maior envergadura envolve na quarta-feira a iQiyi, outra plataforma de alojamento de vídeos, que pretende obter 2,4 mil milhões (€1,94 mil milhões).

Abre mercado de futuros do petróleo em Xangai

Xangai abriu esta segunda-feira um mercado de futuros do crude em moeda chinesa, o Shanghai International Energy Exchange. É a primeira vez que futuros o petróleo são negociados na Ásia. A China tornou-se em 2017 o principal importador de crude do mundo.

Facebook continua a estar em foco

Cinco países europeus – Alemanha, Bélgica, Espanha, França e Holanda – têm em curso uma operação coordenada de investigação sobre o caso que envolveu recentemente o Facebook e que provocou turbulência no próprio sector das tecnológicas norte-americanas. As ações do Facebook perderam na semana passada perto de 14%, uma queda similar à registada com a Oracle. As duas cotadas lideraram as quedas nas grandes empresas tecnológicas.

Mark Zuckerberg voltou a pedir desculpa este fim de semana, publicando anúncios de página inteira em diversos jornais britânicos e norte-americanos. Apesar da crise de confiança, a utilização desta rede social manteve-se "estável" na semana passada, adiantou à Reuters a SimilarWeb, uma empresa de análise do mercado web.

Itália inicia negociações para formar governo

O partido ganhador das eleições de 4 de março em Itália, o Movimento 5 Estrelas, e a coligação de direita chegaram a acordo para a eleição dos presidentes da Câmara de Deputados (um deputado do Movimento) e do Senado (um senador da Força Itália, de Sílvio Berlusconi).

A Liga (ex-Liga Norte), que lidera a coligação de direita, depois desta repartição de cadeiras no Parlamento italiano, reclama que deverá indicar o primeiro-ministro do novo governo. O líder do Movimento 5 Estrelas afirmou, por seu lado, que está aberto a qualquer tipo de coligação.

Nenhum dos três blocos no Parlamento - Movimento 5 Estrelas, coligação de direita e coligação de esquerda (no governo de gestão) - conseguiu a maioria dos lugares na Câmara e no Senado.

Espera-se um processo demorado de negociações. O seu desfecho terá repercussões nos mercados financeiros, em virtude do peso de Itália como terceira maior economia da zona euro.