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O emprego do futuro tem tecnologia e vocação social

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A diversidade é tão vital para os negócios como a qualificação dos profissionais, defende o líder da Adecco

Catia Mateus

Catia Mateus

Jornalista

Flexibilidade, tecnologia, qualificação permanente, diversidade e vocação social serão as grandes tendências do emprego no futuro. E para Alain Dehaze não estamos a falar de previsões a longo prazo. Estamos a falar de uma mudança de paradigma que já está em marcha e que em muitas organizações tem já um papel estratégico nas opções de recrutamento. “Estamos a viver num mundo volátil, imprevisível, complexo e ambíguo e, perante isto, a generalidade das empresas tem flexibilizado mais a sua força laboral de forma a tornarem-se mais ágeis e competitivas”. Para o líder mundial da Adecco a estratégia é positiva, desde que consiga assegurar as necessidades de empresas e profissionais. E é aqui que as coisas se complicam.

Mais de 40% dos empregadores mundiais afirmam que não estão a conseguir encontrar no mercados profissionais com as competências de que necessitam. O cenário traçado por Alain Dehaze pode ser invertido pela via da qualificação permanente e da requalificação profissional, que o CEO da Adecco advoga, mas também pelo fomento a uma cultura de diversidade que é cada vez mais vital para o sucesso das empresas. O efeito da ausência de diversidade (seja ela de género, idade, cultura, religiosa ou outra) nas empresas pode ser devastador para o negócio, garante.

A diferença ainda limita

“Para serem competitivas, as empresas precisam de pensar e trabalhar de forma mais diferenciada e diversa possível”, explica o gestor acrescentando que a promoção da diversidade interna, não só é relevante como “potencia o talento, a inovação e a criatividade na empresas”. Razão pela qual, defende, “a inclusão da diferença deve ser encarada como uma vantagem competitiva das organizações e nunca um obstáculo”. Um cenário que, reconhece, será no futuro, mais do que uma realidade, uma necessidade das organizações para atrair talento e inovar.

A tecnologia é outra das grandes tendências. E não apenas na questão da substituição do homem pela máquina, que será transversal a todos os sectores de atividade. Para Alain Dehaze, a tecnologia impõe a necessidade de recrutamento de profissionais mais qualificados que estejam preparados para tirar dela o melhor partido, mas terá também impacto nos processos de recrutamento que se tornarão mais digitais. Na própria Adecco a revolução já está em marcha. “Lançámos já uma empresa de recrutamento temporário completamente digital — a ADIA —, estamos a aplicar a IA na seleção de candidatos e a utilizar robotic process automation em muitas das tarefas do recrutamento”, explica.

E se as competências tecnológicas dos profissionais serão determinantes no futuro, as sociais não serão menos. Além da crescente relevância que as competências comportamentais estão a assumir nos processos de recrutamento, Alain Dehaze destaca a importância que os perfis com qualificações humanas e sociais terão nas empresas do futuro. “O envelhecimento das populações exigirá um reforço da contratação de perfis capazes de cuidar de idosos”, antecipa ao mesmo tempo que garante que nas empresas será cada vez mais importante para as organizações contratar profissionais com maior vocação humana e social, capazes de lidar com os desafios éticos que a tecnologia impõe.