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16% das empresas vão contratar mais

A criação de emprego deverá aumentar em todos os sectores, com a restauração a liderar as perspetivas de contratação

d.r.

Hotelaria e Restauração deverão liderar o aumento das contratações, revela a multinacional Manpower

Catia Mateus

Catia Mateus

Jornalista

Um inquérito da multinacional de recrutamento Manpower feito junto de 626 empresas nacionais mostra que 16% esperam contratar mais no segundo trimestre. Apenas 2% das organizações inquiridas admitem reduzir o ritmo de contratações, 77% esperam manter tudo na mesma e 5% mantêm em aberto a possibilidade de contratar, ou não. A generalidade dos sectores analisados pelo ManpowerGroup Employment Outlook Survey — o estudo conduzido trimestralmente pela multinacional de recrutamento às intenções de contratação das empresas —, a que o Expresso teve acesso exclusivo, perspetiva assim uma dinâmica de contratações nos próximos três meses. A Restauração e Hotelaria é o sector onde se espera o maior aumento das contratações: 29% dos inquiridos.

Nos nove sectores analisados no estudo — agricultura, floresta e pescas; construção; fornecimento de eletricidade, gás e água; finanças, seguros, imobiliário e serviços; indústria, sector público; restauração e hotelaria; transportes, logística e comunicações e comércio grossista e retalhista — os resultados para um aumento generalizado das contratações a nível nacional, na ordem dos dois dígitos. A exceção é o sector do comércio grossista e retalhista que não deverá crescer mais do que 5%. Embora estes números não sejam diretamente comparáveis com as estatísticas do emprego no conjunto da economia, uma vez que resultam de inquéritos e olham apenas para uma amostra de empresas, apontam no mesmo sentido das projeções macroeconómicas disponíveis. O Banco de Portugal, por exemplo, prevê um crescimento do emprego de 1,6% este ano 2018.

Hotelaria lidera

Sem grande surpresa, tendo em conta a evolução do turismo nos últimos tempos, o maior incremento das contratações deverá acontecer na hotelaria e restauração, mas não se esgota aqui. Será extensível ao sector dos transportes, logística e comunicação onde 22% das empresas projetam uma aceleração das contratações, tal como a agricultura, floresta e pescas e as finanças, seguros, imobiliário e serviços, com resultados também otimistas de 19% e 18%, respetivamente.

Carla Marques, diretora-geral do ManpowerGroup Portugal, destaca também a boa dinâmica de contratação que se deverá sentir no sector público (14%) e na indústria (12%) ao longo dos próximos três meses.

Os números ganham outra expressão quando comparados com o primeiro trimestre deste ano, como é o caso do sector da restauração e hotelaria, que regista uma melhoria de 20 pontos percentuais para 29% no saldo entre empresas que dizem ir contratar mais e aquelas que admitem reduzir o ritmo. Na comparação com o segundo trimestre de 2017, a melhoria foi de 13 pontos. Do outro lado da balança estão os sectores dos transportes, logística e comunicações e do comércio grossista e retalhista que embora apresentem melhores resultados do que os apurados no segundo trimestre de 2017, apresentam decréscimos de oito e cinco pontos, respetivamente, neste saldo face aos primeiros três meses deste ano.

A diretora-geral do ManpowerGroup Portugal realça que o ritmo de contratação se manterá positivo nos próximos três meses, mas enfatiza o momento decisivo que enfrentam profissionais e empresas: “Atravessamos uma revolução de competências, em que para as empresas terem sucesso no futuro é necessário garantir o equilíbrio entre os desenvolvimentos tecnológicos e as competências de natureza humana. A tecnologia está a transformar as organizações, as competências mais procuradas mudam rapidamente e testemunhamos uma crescente dificuldade das empresas em encontrar o talento de que necessitam”.

Para Carla Marques, é fundamental acelerar os programas de reskilling (reconversão) “com intervenções rápidas e curtas, de formação on-the-job”. Para a líder do Manpower, “num mundo cada vez mais digitalizado, o sucesso nem sempre exigirá um diploma universitário, mas dependerá sempre da vontade pela aprendizagem e desenvolvimento contínuo de competências, pelo que devemos nutrir essa curiosidade e capacidade de aprendizagem nas pessoas”. A combinação certa de competências, reforça, permitirá aos profissionais potenciar e impulsionar a tecnologia e não competir com ela.

O ManpowerGroup Employment Outlook Survey é conduzido há 55 anos a nível global, permitindo uma comparação das perspetivas de contratação em 44 países. A última edição apurou perspetivas de contratação positivas em 43 geografias.