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Lucro recorde na EPAL

O engenheiro do ambiente José Sardinha, presidente do conselho de administração 
da EPAL, fotografado na sede da empresa em Lisboa

FOTO ANTÓNIO PEDRO FERREIRA

Distribuidora de água de Lisboa reforça este ano o investimento mas voltará a reduzir a sua dívida

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

A EPAL-Empresa Portuguesa das Águas Livres, que abastece água em Lisboa e noutros 34 municípios à volta da capital, comemora em abril o seu 150º aniversário e o seu presidente executivo, José Sardinha, não esconde a satisfação. “Somos seguramente uma das empresas mais antigas da Europa. É um marco para uma empresa do sector público”, afirma. Mas não é apenas isso que o gestor tem para assinalar. Em 2017 a EPAL alcançou o seu melhor resultado de sempre.

A EPAL fechou 2017 com um lucro de €50,1 milhões, o seu melhor resultado recorrente (sem efeitos extraordinários, como a venda de ativos). No ano anterior, tinha lucrado €49,7 milhões. José Sardinha justifica a subida com “um trabalho continuado de medidas de otimização”, que vêm permitindo à “Companhia das Águas de Lisboa” (o nome com que arrancou, a 2 de abril de 1868) reduzir os seus custos.

“Tivemos em 2017 um volume de negócios equivalente ao de 2006 [€159 milhões] e o resultado líquido foi mais do dobro [há uma década estava nos €19 milhões]”, sublinha o presidente da EPAL, em entrevista ao Expresso.

A maior e mais rentável empresa do grupo estatal Águas de Portugal tem a seu favor o facto de operar numa região com ganhos de escala substanciais: é mais fácil recuperar qualquer investimento em infraestrutura numa área densamente povoada do que num território de baixa densidade.

E, em 2017, a EPAL também beneficiou de um crescimento do consumo. Em termos líquidos a carteira da empresa em Lisboa ganhou 841 clientes domésticos (crescimento de 0,3%) e 921 clientes empresariais (subida de 2,1%). Mas o volume de água consumida aumentou 1% no segmento residencial e 4,2% na classe empresarial. “Sente-se uma vitalidade económica muito significativa”, comenta José Sardinha, acrescentando que além de novos contratos a EPAL beneficiou de um maior consumo em contratos que estavam ativos mas diziam respeito a imóveis devolutos, que entretanto passaram a estar ocupados.
Dívida continuará a cair
A EPAL realizou investimentos em 2017 de €16,3 milhões. Para 2018, José Sardinha projeta €25 milhões, com a renovação da rede de abastecimento e de contadores, mas também a finalização da estação de tratamento de água de Vale da Pedra. Entre os investimentos a realizar está também um projeto de quase €2 milhões para instalar turbinas na estação de tratamento de Asseiceira, que permitirão a esta unidade gerar a sua própria eletricidade e tornar-se 100% autónoma no plano energético.

O aumento do investimento previsto para este ano não irá beliscar a disciplina financeira. A EPAL fechou 2017 com uma dívida de €133 milhões e José Sardinha estima que ela volte a baixar no corrente ano, para €118 milhões, com o vencimento de empréstimos do Banco Europeu de Investimentos.

A empresa deverá conseguir este ano um EBITDA (resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) em linha com os €99 milhões alcançados em 2017. O lucro estimado para 2018 é de €48 milhões.

Este ano a comissão de trabalhadores da EPAL manifestou preocupação com a redução de pessoal na empresa. José Sardinha diz que a administração já expôs a situação ao Governo. “As pessoas têm-se vindo a aposentar-se e carecem de substituição, mas não está em perigo o serviço público”, explica o gestor. O presidente da EPAL indica ainda que a empresa aguarda “luz verde” dos Ministérios do Ambiente e das Finanças para poder recrutar cerca de 30 pessoas, para somar ao quadro de 647 trabalhadores em funções.