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Guerra de palavras. Nos responde à Altice e mantém acusações de "fraude"

Miguel Almeida, presidente executivo da Nos

António Pedro Ferreira

A operadora Nos, em resposta ao comunicado duro e irónico da Altice relativo à entrevista de Miguel Almeida ao Expresso, mantém que a Fibroglobal "é uma fraude". E garante que "em momento algum" acusou o Governo de compactuar com a mesma: "O que a Nos e outros operadores têm vindo a assistir é a uma completa inação sobre este dossier que prejudica cerca de 250 mil lares portugueses"

Depois do duro e irónico comunicado da Altice, em reação às declarações proferidas por Miguel Almeida em entrevista ao Expresso este sábado (que pode ser lida na íntegra aqui), chegou um outro comunicado. Agora, da Nos, em reação à reação da concorrente Altice. Está instalada uma guerra de palavras.

Em comunicado enviado às redações ao final desta tarde, a operadora liderada por Miguel Almeida "reafirma que a Fibroglobal é uma fraude". De acordo com a Nos, esta sociedade é uma fraude "pois foi construída com dinheiros públicos para servir todo o mercado, à semelhança das outras redes rurais no Norte e Sul do país e que são usadas pelos diversos operadores. Mas o caso da Fibroglobal continua por resolver, havendo apenas um operador que a usa".

A Nos reage assim ao anterior comunicado da Altice, em que esta diz que a entrevista de Miguel Almeida ao Expresso mais não é do que uma "prova de vida". Em entrevista ao Expresso, o gestor afirmou que "grande parte" dos locais, na zona Centro do país, afetados pelos incêndios no ano passado, "é servida pela rede da Fibroglobal [detida por uma empresa alegadamente ligada à Altice], que foi paga com dinheiros públicos e está a ser usada de forma privada. O que constitui uma fraude." Diz ainda que a Altice está a usar "uma rede que foi paga por dinheiros públicos [fundos europeus de €30 milhões] em seu benefício próprio, o que é uma fraude com a qual sucessivos governos, não apenas o atual, e sucessivas administrações da Anacom, não apenas a atual, têm pactuado com o seu silêncio e a sua inação", diz na referida entrevista.

Num comunicado enviado ao início desta tarde de sábado, a Altice escusou-se a comentar a acusação de fraude e desviou o foco para o Estado português, considerando "irresponsável e preocupante o ataque grave e gratuito feito ao Governo português e ao próprio regulador. Estranha-se que recebendo do Estado e, portanto, dos contribuintes, quase dez milhões de euros pelo contrato de serviço universal, apenas tenha responsabilidade por dois ou três clientes".

Agora, a Nos diz que "em momento algum acusou de fraude o Governo, este ou outro, a Anacom, esta administração ou outra, nem mesmo o seu único concorrente que a utiliza. O que a Nos e outros operadores têm vindo a assistir é a uma completa inação sobre este dossier que prejudica cerca de 250 mil lares portugueses que deveriam ter direito a poder escolher o seu operador de serviços e não ficar limitados a apenas uma oferta."