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Guerra comercial de Trump provoca semana negra nas bolsas e rombo nos multimilionários

reuters

As praças mundiais registaram a segunda pior semana do ano e em Nova Iorque a quebra bolsista semanal foi pior do que a anterior semana negra em fevereiro. Bolsas na zona euro caíram 3%. PSI 20 em Lisboa recuou menos. Dono da Tencent chinesa foi o que mais perdeu

Jorge Nascimento Rodrigues

A guerra comercial com a China anunciada esta semana pelo presidente Trump e a retaliação prevista por Pequim provocaram a segunda pior semana do ano nas bolsas mundiais e castigaram mais severamente sete dos 20 principais multimilionários do mundo, que perderam mais de 2% da sua riqueza avaliada pela revista Forbes.

A semana ficou marcada pela assinatura por Trump na quinta-feira de um memorando impondo taxas alfandegárias em mais de 1000 produtos Made in China abrangendo eventualmente 60 mil milhões de dólares (€49 mil milhões) de importações.

Uma decisão que se veio juntar à entrada em vigor na sexta-feira de taxas aduaneiras no aço e alumínio importados que visam, também, sobretudo a China, dado outros grandes fornecedores dos Estados Unidos terem sido temporariamente isentos da sua aplicação, como o Canadá e a União Europeia.

China responde moderadamente a Trump

Pequim respondeu com um plano de taxas entre 15% e 25% sobre 128 produtos Made in USA importados pela China, caso falhem as negociações com Washington para travar o pacote protecionista de Trump. O universo de importações abrangido será de 3 mil milhões de dólares (menos de €2,5 mil milhões), o que foi considerada uma "resposta moderada" por parte dos analistas.

O embaixador chinês nos EUA, Cui Tiankai, disse à Bloomberg que Pequim poderá retaliar de outras maneiras, inclusive reduzindo a sua carteira de títulos de dívida norte-americanos que somava 1,2 biliões de dólares (cerca de €1 bilião) em final de janeiro. A China é o principal credor oficial estrangeiro do Tesouro norte-americano.

Esta ameaça – mesmo que não podendo implicar movimentos de grande amplitude, pois implicaria perdas para o próprio Tesouro chinês – tem implicações nos mercados pois o Tesouro norte-americano vai ter de emitir ainda mais dívida para tapar o défice orçamental crescente originado pela política de Trump de aumento dos gastos federais e de redução de receitas em virtude do choque fiscal. Ao mesmo tempo, a Reserva Federal norte-americana tem em curso um plano de redução da carteira de títulos do Tesouro, diminuindo mensalmente os reinvestimentos aquando da amortização dos ativos.

Os primeiros tiros de aviso de uma guerra comercial foram dados. Mas ainda “é prematuro” declarar que estamos em guerra, disse o analista norte-americano Marc Chandler à Bloomberg em Hong Kong. As próximas semanas de negociações bilaterais, de aplicação das taxas já em vigor, e de concretização de retaliações ditarão o seu andamento.

Bolsas mundiais com segunda maior queda semanal do ano

O índice MSCI global caiu 4,4% esta semana, a segunda maior queda semanal este ano, depois da quebra de 5,7% na semana negra de 5 a 9 de fevereiro.

A semana registou a quarta e quinta maiores quedas diárias do ano. O índice mundial perdeu 1,6% na quinta-feira e 1,8% na sexta-feira. As maiores quedas registaram-se em fevereiro, nas sessões dos dias 2, 5 e 8. A 5 de fevereiro, o índice fixou o recorde do ano com uma descida de 2,96%.

Nova Iorque foi a praça mais castigada

A praça mais castigada foi a de Nova Iorque. O índice MSCI respetivo recuou 5,9%, mais do que na semana negra de fevereiro, quando caiu 5,2%.

O Nasdaq composto, o índice para a bolsa das tecnológicas, liderou as quedas semanais, com uma perda de 6,5%. Durante a semana, as ações de quatro tecnológicas de renome – Oracle, Facebook, Google (Alfhabet Inc e Alphabet) e 3M - caíram mais de 9%, tal como o Bank of America. A Oracle liderou as quedas com uma perda semanal de 14,3%. Os bancos perderam 8%, a maior quebra em dois anos. Os sectores dos semicondutores e da biotecnologia perderam 6,9%.

O índice de volatilidade associado a Wall Street, conhecido pelo acrónimo VIX, registou na quinta-feira o segundo maior disparo do ano. Vulgarmente chamado de “índice do medo”, sinalizando o pânico financeiro no mercado, o VIX subiu 30,68% em 22 de março. O maior disparo verificou-se a 5 de fevereiro, com uma subida de 115,6%. 2018 já está marcado por dois dias de forte pânico nas bolsas.

Zona euro perde 3% com Frankfurt a liderar as quedas

A segunda ‘região’ dos mercados globais mais atingida foi a Ásia, com o índice MSCI a perder 3,5% durante a semana. As bolsas de Shenzhen (a segunda bolsa chinesa sedeada na região de Cantão, no sul) e de Tóquio foram as que registaram perdas semanais mais elevadas: o índice composto de Shenzhen recuou 5,5% e o Nikkey 225 nipónico caiu 4,9%.

A zona euro registou um recuo semanal de 3%, com o índice Dax de Frankfurt a cair 4%. As ações do Deutsche Bank afundaram-se 13%, caindo para um mínimo de 15 meses. Os analistas financeiros prestam particular atenção a este banco alemão em virtude do seu papel "no coração" do mercado global de derivados, sublinha este sábado o Credit Bubble Bulettin.

O índice PSI 20, na bolsa de Lisboa, perdeu menos que a média da zona euro, caindo 1,7%.

Dono da Tencent foi o multimilionário que mais perdeu

Ma Huateng, o dono da Tencent chinesa, perdeu 4,2% da sua riqueza, segundo a avaliação permanente da lista dos 20 principais multimilionários da revista Forbes. A Tencent caiu 9,7% na bolsa de Hong Kong durante a semana.

Com o segundo maior rombo relativo na sua riqueza, surge Marck Zuckerberg. O dono do Facebook, que atravessa a sua pior crise, perdeu 3,3%. As ações do Facebook caíram 14% esta semana.

Seguem-se, Jeff Bezos, o atual líder da lista de multimilionários do mundo, com perdas de 3%, o investidor Warren Buffet, os donos da Google, Larry Page e Sergei Brin, e o dono da Oracle, Larry Elison.