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Entrevista de Miguel Almeida ao Expresso enfurece Altice: É apenas uma "prova de vida"

Miguel Almeida, presidente executivo da Nos

António Pedro Ferreira

Altice passa ao ataque acusando Miguel Almeida, presidente executivo da Nos, de ter "vergonha" de assumir que está na imprensa e de não estar à vontade com o "futuro". E ironiza em relação à compra da TVI

A Altice Portugal, dona da Meo, reagiu duramente à entrevista de Miguel Almeida, publicada este sábado no Expresso (e que pode ler na íntegra aqui). Embora a Altice refira que "não irá reagir formalmente à entrevista", acaba por fazê-lo através de um comunicado enviado às redações, dizendo ter sido "questionada", embora não diga por quem. Em quatro pontos, a Altice reage às declarações do presidente executivo da Nos.

A operadora dona da Meo, liderada por Alexandre Fonseca, usa a ironia ao longo do comunicado, em que ataca frontalmente Miguel Almeida.

A Altice "saúda o facto de a Nos ter recuado na sua posição" quanto à operação de compra da Media Capital pela Altice, "dizendo que havendo remédios até não é contra a operação". Na verdade, na entrevista, Miguel Almeida mantém a sua posição anterior: "Quero acreditar que a operação não vai acontecer porque é muito negativa para os consumidores, para os cidadãos, e, no limite, para a democracia, uma vez que envolve a comunicação social. Se for aprovada, a nossa expectativa — absolutamente legítima atendendo às questões levantadas pela AdC [Autoridade da Concorrência] — é que terá de ser com os remédios adequados para precaver os riscos identificados."

Recorde-se que, em dezembro de 2016, quando a Altice anunciou que estava na corrida pela Media Capital, dona da TVI, Miguel Almeida havia dito ao Expresso que, se os reguladores nada fizessem, "haveria guerra". Agora, defende a mesma posição: "Se isso não acontecer, mantenho o que disse, haverá ‘guerra’", diz na entrevista publicada este sábado. O presidente da Nos acredita que, caso a operação avance, "vai-se abrir uma caixa de Pandora com consequências dificilmente positivas para a sociedade".

Presidente da Nos diz que há "fraude"

Sobre as dificuldades na reposição dos serviços de telecomunicações nos lares localizados em zonas afetadas pelos incêndios do ano passado, Miguel Almeida garante não ter mais de dois ou três clientes sem comunicações. E aponta o dedo à Altice, referindo que "tem que ver com ligações fornecidas pelo incumbente a montante que ainda não estão restabelecidas".

O gestor diz mesmo que há “fraude” e problemas de concorrência na Fibroglobal, empresa dona de redes rurais no centro do país, onde deflagraram os fogos de 2017. Esta companhia foi comprada por uma empresa alegadamente associada à Altice. Uma "fraude" com a qual as sucessivas administrações da Autoridade Nacional das Comunicações (Anacom) e governos “têm pactuado, com o seu silêncio e inação”, diz Miguel Almeida.

No que respeita a esta acusação de fraude, a Altice "escusa-se a comentar o tema". No entanto, a operadora desvia o foco das declarações de Miguel Almeida para o Estado português: considera "irresponsável e preocupante o ataque grave e gratuito feito ao Governo Português e ao próprio regulador", lê-se no comunicado enviado pela operadora. E vai mais longe: "Estranha-se que recebendo do Estado e, portanto, dos contribuintes, quase dez milhões de euros pelo contrato de serviço universal , apenas tenha responsabilidade por dois ou três clientes".

"Prova de vida"

A Altice afirma no mesmo comunicado que a entrevista de Miguel Almeida não "indicia" mais do que "a necessidade de 'fazer prova de vida'".

"Não conhecendo a nossa empresa é natural que o conteúdo tenha pouca consistência". E estranha que a mesma não aborde "os temas com que a Nos se debate, como a estrutura acionista, transparecendo claramente não estar à vontade com o que pode suceder no futuro, e parece ter vergonha de assumir que estão na imprensa há muitos anos, com um diário de referência em Portugal ['Público'] e que o seu acionista estrangeiro [a empresária angolana Isabel dos Santos] tem forte presença e influência nos media portugueses e angolanos. Quando der uma entrevista sobre a Nos talvez possa dizer o que pensa".