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Casas com preços mais altos estão concentradas em 15 municípios

FOTO D.R.

Dos 308 municípios do país, só em 200 é que o INE encontrou valores de rendas, e nesses só em algumas zonas do Algarve, Lisboa e Porto é que as rendas superam os €5 por m2

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

No ano passado, arrendar uma casa em Lisboa custou, segundo os valores medianos revelados esta semana pelo Instituto Nacional de Estatística, cerca de 9,62 euros por metro quadrado. Um valor que atira as tipologias mais procuradas — um T1 com 50 m2 ou um T2 com 70 m2 — para €481 e €673 mensais, respetivamente. E, no Porto, os €6,77 a que foram fechadas as rendas durante 2017 fizeram com que, por mês, um T1 custasse €338,5 e um T2 ficasse a €474.

Mas no resto do país a realidade é bem diferente e com €350 já se arrenda um T2 de 70 m2 em qualquer um dos municípios que não sejam os do Porto, Matosinhos, Lisboa e alguns dos arredores da capital, como Odivelas, Amadora, Oeiras, Cascais ou Almada. Até no Algarve, onde os preços tendem a estar mais inflacionados por causa do turismo e da segunda habitação, as rendas não ultrapassam aos cinco euros por m2 em municípios como Lagos, Loulé ou Faro. De facto, de acordo com o presidente da Associação dos Inquilinos Lisbonenses, Romão Lavadinho, “com €250 é possível arrendar um T1 no Algarve ou no Baixo Alentejo, e no Barreiro ainda se encontram T2 a €300”, diz ao Expresso.

Para este responsável, é essencialmente em Lisboa que os preços estão demasiado altos. Aliás, estão bem mais altos do que estas estatísticas que o INE publica agora pela primeira vez. “Estes dados são válidos, mas não correspondem à realidade de Lisboa. Em termos reais, é bem mais grave. Um T2 não custa menos de €1200 ou €1300 por mês, talvez em Benfica ou na Ajuda, mas nunca está muito longe disso. Só talvez na margem sul é que se encontre menos que isso”, repara.

A justificação para estes valores tão elevados em Lisboa é a falta de oferta, que, por sua vez, se justifica com as recentes alterações à Lei do Arrendamento, que desincentivaram os investidores de colocar casas no mercado, nota o presidente da Associação Lisbonense de Proprietários, Luís Menezes Leitão. “Além de caras são poucas”, comenta ainda Romão Lavadinho.

Mas isto não significa que, pelos preços serem mais baixos em quase todos os outros municípios, haja mais oferta no resto do país. Neste caso, acontece também porque não existe nem procura nem tradição de arrendar, mas sim de comprar. Aliás, o INE só identifica valores de rendas medianas em 200 municípios do país, quando no total existem 308.

O INE mostra ainda nesta análise em que aborda apenas os novos arrendamentos que, em 2017, foram realizados 84.383 contratos em todo o país, sendo a maior parte em Lisboa e Porto, mais precisamente 10.157 casas. Em Lisboa, foi em Arroios onde mais se arrendou (612 contratos) e, no Porto, em Paranhos (913). Contudo, tanto em Lisboa como no Porto, estas não são as zonas com os preços mais baixos, mas sim dos que estão no meio da tabela. Segundo os dados do INE, uma renda mediana na freguesia de Arroios está nos €9,05 por m2 e em Paranhos está nos €6,67 por m2, sendo que os valores mais altos estão acima dos €10 por m2 em Lisboa e dos €7 no Porto.