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Efacec. Despedimento encapotado ou ajustamento cirúrgico?

Concentração e greve marcam esta sexta-feira a vida da Efacec, de Isabel dos Santos. A empresa diz que as acusações do sindicato são falsas. Em causa 49 trabalhadores.

As versões do sindicato e da administração da Efacec só coincidem num número: 49 são os trabalhadores envolvidos.Em tudo o resto as versões divergem.

Um "despedimento encapotado", acusa o sindicato. Um ajustamento cirúrgico numa das áreas (Transformadores de Potência) em que a rescisão surge como último recurso, segundo a Efacec, uma empresa do universo de Isabel dos Santos.

O conflito laboral leva esta sexta-feira, dia 23, a uma concentração e greve de um dia na unidade de São Mamede de Infesta (Matosinhos) da Efacec, promovida pelo Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia do Norte (Site-Norte), afeto à CGTP.

Lista de dispensas

Na base da luta, estão "as contínuas listas criadas para dispensar trabalhadores", a últimas das quais conta com mais 49 nomes.

Os trabalhadores "não entendem a posição da empresa que se apresenta como empregador de referência" ao mesmo tempo que "cria listas e exerce ações persecutórias sobre quem não aceita o plano de rescisões".

A atuação configura um "despedimento encapotado" , alegam as organizações representativas dos trabalhadores (ORT's) da Efacec.

Acusações falsas

Estas afirmações das ORT’s "são totalmente falsas", reage a administração da Efacec. Segundo a empresa, uma divisão da Efacec Energia (Transformadores de Potência) sofre com a redução de encomendas (45% nos últimos anos), forçando um "ajustamento na produção".

Por isso, a empresa "está em diálogo com 49 colaboradores para encontrar soluções alternativas", incluindo a mobilidade na mesma área ou a transferência para outras unidades de negócio.

A rescisão por mútuo acordo surge se como último recurso se a mobilidade falhar ou por opção do assalariado, no âmbito de "um programa com condições financeiras muito acima da lei e um plano de reintegração profissional". A Efacec diz que já "houve colaboradores que aderiram a esta solução".

Visões distintas

Em resumo, diz a administração da Efacec, "trata-se de uma situação muito concreta, sem qualquer impacto em outra unidade organizacional". O processo "tem decorrido com toda a normalidade", em clima de "diálogo direto, esclarecedor e construtivo".

A Efacec Energia "já garantiu a todos os seus colaboradores que não haverá mais trabalhadores" afetados pela racionalização industrial.

Mas, na visão do sindicato, a Efacec regista "graves problemas do ponto de vista da defesa dos postos de trabalho e dos direitos dos trabalhadores". Os trabalhadores manifestam preocupação pela "estabilidade social" de uma empresa que se revela "estratégica para a economia nacional”.

A Efacec anunciou um programa até 2020 para contratar 700 quadros "relacionados com as novas tendências", centrado em especial nas unidades de mobilidade eléctrica e automação para se manter "na vanguarda dos projetos tecnológicos". Em 2018, o grupo já acrescentou mais 85 nomes à sua folha de salários, contando com uma comunidade laboral de 2538 trabalhadores.