Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Declaração de guerra comercial de Trump à China gera pânico nas bolsas

Wall Street cai 2,5% na quinta-feira, a terceira maior queda diária em 2018, e índice de pânico tem a segunda maior subida do ano, depois do presidente norte-americano ter assinado o memorando de imposição de taxas sobre as importações chinesas. Pequim ameaça retaliar. Bolsas da Ásia perto de derrocada esta sexta-feira

Jorge Nascimento Rodrigues

A bolsa norte-americana registou na quinta-feira a terceira pior sessão do ano, depois das quedas a 5 e 8 de fevereiro, na semana negra. O índice MSCI para as duas bolsas dos Estados Unidos recuou 2,51%. O índice de pânico financeiro em Wall Street disparou 31%, a segunda maior subida do ano depois da escalada a 5 de fevereiro.

A praça de Nova-Iorque foi a primeira vítima da assinatura na quinta-feira pelo presidente Trump de um memorando autorizando a imposição de taxas aduaneiras em mais de 1000 produtos importados da China e apontando para restrições ao investimento chinês nos Estados Unidos. O presidente falou de taxas sobre "cerca de 60 mil milhões de dólares" de importações e disse que exigiu a Pequim medidas para reduzir "imediatamente" quase 1/3 do atual défice comercial dos EUA em relação à China.

Abriu-se, entretanto, uma polémica sobre o que disse efetivamente Donald Trump, em virtude da sua habitual retórica carregada de imprecisões. Os economistas do J.P. Morgan analisam a dimensão bem diferente do impacto das medidas contra a China se se trata de imposição de taxas em importações no valor de 60 mil milhões de dólares (€50 mil milhões) ou obtenção de uma receita aduaneira daquele valor - o que implicaria um universo de imposição das taxas em 40% do valor das importações da China.

Pequim ameaça retaliar

Em Pequim, o Ministério do Comércio anunciou esta sexta-feira uma resposta em duas fases às medidas norte-americanas, que pode passar pela imposição de taxas alfandegárias entre 15% e 25% sobre um grupo de 128 produtos importados dos EUA, se as negociações com Washington não resultarem. Efeitos colaterais poderão prejudicar multinacionais norte-americanas com forte presença no mercado chinês, como a Apple, Intel, Ford e Boeing.

O clima de guerra comercial iminente entre as duas maiores economias do mundo apoderou-se dos mercados financeiros com as bolsas da Ásia esta sexta-feira perto da derrocada. O índice Nikkei 225, em Tóquio, a mais importante bolsa da região, perdeu 4,5%. Xangai, a segunda praça financeira asiática, viu o índice composto cair mais de 3%.

O conflito aberto pelo memorando assinado por Trump não tem, apenas, uma dimensão comercial. Implica, também, uma dimensão geopolítica, onde o risco de "acidentes" aumenta, frisa, esta sesta-feira, uma nota do Commerzbank para os seus clientes.

Entraram em vigor taxas sobre metais, com isenções temporárias

Esta sexta-feira entraram em vigor as novas taxas norte-americanas sobre o aço e o alumínio importados.

Robert Lighthizer, o responsável pelo Comércio Externo na Administração Trump, disse ontem no Senado norte-americano que foram isentos temporariamente da aplicação dos direitos aduaneiros as importações daquele metais da Argentina, Austrália, Argentina, Brasil (quarto fornecedor de aço), Canadá (principal fornecedor de aço e de alumínio), Coreia do Sul (segundo fornecedor de aço), México (terceiro fornecedor de aço) e União Europeia.

Ficaram de fora da "pausa" na aplicação das taxas a China (segundo fornecedor de alumínio), Rússia (terceiro fornecedor de alumínio), Taiwan, Japão, Índia, Emirados Árabes Unidos e Turquia entre os fornecedores de aço e alumínio.

O Conselho Europeu decidiu ontem adiar a discussão sobre a nova política comercial dos EUA e a resposta a dar pela União Europeia.