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China retalia: 123 produtos americanos vão pagar taxa

A lista incluiu produtos como vinho, carne de porco, frutas e aço. No conjunto, valem apenas 2% das importações dos Estados Unidos

A China, a segunda maior economia do mundo, responde na mesma moeda ao ataque comercial de Donald Trump. O governo chinês anunciou esta sexta-feira que vai também aplicar tarifas. aduaneiras a 128 produtos produtos americanos. A lista incluiu carne de porco, vinho, frutas e aço.
Mas, Pequem admite ainda um acordo amigável com os Estados Unidos da América (EUA). O plano de retaliação será aplicado em duas fases - a segunda só avançara no caso das negociações bilaterais não conduzirem a um acordo.

Taxas de 15 e 25 por cento

O Ministério do Comércio da China publicou hoje no seu site uma lista de 128 produtos dos EUA como possíveis alvos de retaliação. No conjunto, estes 128 produtos americanos valeram, em 2017, 3 mil milhões de dólares (2,4 mil milhões de euros)- cerca de 2% de todas as importações.

Produtos como vinho, frutas frescas e secas, tubos de aço ou etanol poderão passar a pagar uma taxa de 15%. Uma taxa de 25% será aplicada à carne de suíno e alumínio reciclado, de acordo com o comunicado do Ministério da Comércio da China.

Segundo especialistas ouvidos pala CNBC, a retaliação de Pequim é “relativamente contida” por abarcar um universo de produtos que representam apenas 3 mil milhões de dólares. É significativo, mas de dimensão reduzida “face ao comércio bilateral EUA-China", referem os especialistas.
As importações chinesas dos EUA deverão atingir este ano 170 mil milhões de dólares.

Protesto junto da OMC

Os produtos agrícolas dos EUA, particularmente a soja, foram sinalizados como alvos principais de potencial retaliação pelo governo chinês. Mas, o comunicado do ministério do Comércio não fala desse tema. O ministério chinês refere que no caso de não haver acordo com Washington, Pequim pode apresentar um protesto formal na Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra. Na ótica de Pequim, as ações comerciais do presidente Trump prejudicam gravemente o sistema multilateral de comércio e a ordem de comércio internacional.

O embaixador de Pequim junto da OMC, Zhang Xiangchen, já anunciara ontem que o seu país estava a preparar um protesto formal junto da organização contra o protecionismo de Trump.

"Há um direito legítimo para a China fazer isso. Mas eu não excluiria outras opções, porque se a enchente se aproximar, tem que se proteger para evitá-la", disse o embaixador à Reuters.
O representante de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, defendera que as tarifas atingiriam o sector de alta tecnologia da China e também poderiam incluir restrições aos investimentos chineses nos Estados Unidos. E outros sectores como vestuário também podem ser atingidos.

Segurança Nacional

Os Estados Unidos confiam que a alegação de segurança nacional torne as tarifas de aço e alumínio imunes a uma ação na OMC, mas Zhang disse que a OMC não se convenceu de que a medida é "essencial" para a segurança nacional.

"Ninguém viu a lógica essencial de segurança nacional por trás das medidas dos EUA", disse o embaixador.

Trump assinou na quinta-feira um memorando que imporá tarifas de até 60 mil milhões de dólares em importações chinesas. "Esta é a primeira de muitas" ações comerciais, anunciou o presidente. Este anúncio é o primeiro de uma série de restrições comerciais norte-americanas voltadas directamente à China e destinadas a conter o suposto roubo de tecnologia dos EUA.
As bolsas asiáticas reagiram a esta guerra comercial com quedas acentuadas, com o índice Nikkei do Japão a perder 4,5%.

  • Abílio Ferreira

    Iniciou a carreira no diário Comércio do Porto, em 1977, seguindo para o Semanário e Visão, antes de ancorar no Expresso. Pertence à delegação do norte e opera preferencialmente na fileira da economia.