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António Costa vai limpar as matas e leva os ministros com ele

Foto Fernando Veludo/Nfactos

É já amanhã que o primeiro-ministro António Costa vai participar numa ação de limpeza de matas e florestas com mais de 20 membros do Governo. Os ministros vão andar de norte a sul do país a mostrar como se faz, numa ação de sensibilização para o tema da prevenção dos fogos

O Governo quer dar o exemplo e mostrar ao país que é determinante o empenho de todos nas ações de limpeza das florestas, de forma a reduzir, tanto quanto possível o risco de incêndio.

Assim, já amanhã, o primeiro-ministro António Costa e mais de duas dezenas de membros do Governo irão participar em ações de limpeza florestal em vários distritos do país de norte a sul.

“Assumindo a limpeza das florestas como uma prioridade para o sucesso da estratégia de prevenção e combate aos incêndios, o Governo procura, desta forma, mobilizar o País para esta importante causa nacional, colaborando diretamente no esforço que está a ser desenvolvido pelos municípios, empresas e cidadãos para reduzir o risco de incêndio”, pode ler-se numa nota do Governo difundida ontem ao final do dia.

Assim sendo, o primeiro-ministro e membros do Governo das várias áreas governativas irão deslocar-se a várias regiões do Minho ao Algarve, para participarem num conjunto de iniciativas organizadas em parceria com a Associação Nacional dos Municípios Portugueses. Estão previstas ações no terreno de limpeza de mato e ainda a apresentação de planos e projetos no âmbito da prevenção.

Autarca de Viseu diz que não alinha em 'show off'

Entretanto, o presidente da Câmara Municipal de Viseu, Almeida Henriques, já disse que irá faltar à iniciativa de limpeza de mato e gestão de combustível marcada para sábado, no seu concelho, com a presença da ministra do Mar, por não ser “um político de ‘show off’”.

O autarca fez questão de sublinhar que é um político de ação. E acrescentou que “o trabalho que estamos a fazer é sério, no terreno, de sensibilização e de preparação dos meios para a época de incêndios. Nunca fiz limpeza de matas, portanto, não é para aparecer na fotografia que agora vou simular que estou a fazer”.

O Governo informa, por sua vez, que através desta iniciativa, pretende-se clarificar que o trabalho de limpeza de terrenos decorrerá até 31 de maio.

“A limpeza dos matos constitui um passo fundamental para termos uma floresta mais resiliente e resistente ao risco de incêndio, uma floresta que contribua para a vitalidade do mundo rural, que seja fonte de rendimento para as populações, e de fixação de emprego das populações”, conclui a nota de imprensa emitida pelo executivo de António Costa.

Multas adiadas para junho

Recorde-se que a limpeza de matas e florestas causou alguma polémica nas últimas semanas, pois estava estabelecido que o prazo para o particulares procederem aos trabalhos de limpeza terminava no dia 15 deste mês. E os contribuintes tinham sido informados por carta, pela Autoridade Tributária, que se não executassem aquelas tarefas até à data estabelecida seriam penalizados com coimas.

O stresse generalizou-se a todo o país e foram muitas as vozes que se opuseram à forma como o Governo apresentou o problema às populações. A pressão das confederações de agricultores e da opinião pública em geral foi de tal ordem que o próprio primeiro-ministro se viu obrigado, no passado dia 15, a comunicar publicamente ao país que a aplicação das multas aos incumpridores seria dilatada no tempo. Assim, o Conselho de Ministros aprovou um decreto-lei que determina que as coimas pelo incumprimento na limpeza das matas ficam sem efeito até 31 de maio, caso o proprietário cumpra com a sua tarefa.

Em simultâneo o Governo aprovou também o decreto-lei que cria uma linha de crédito para financiamento das despesas com redes secundárias de faixas de gestão de combustível, prevista no Orçamento do Estado para 2018.

  • Do ‘negócio dos fogos’ para o negócio da prevenção

    Só o Estado tem destinados €14 milhões para a limpeza das florestas e matas nacionais. Nas aldeias há idosos com medo das multas e das visitas da GNR. Os agricultores falam de clima intimidatório e antidemocrático promovido pelo Governo. Um dia de trabalho pode custar mais de €100 por pessoa e a limpeza de um hectare chega aos €3000 em terrenos mais acidentados e inacessíveis

  • Limpeza de terrenos: coimas não serão aplicadas até junho

    Numa declaração aos jornalistas, em Lisboa, António Costa referiu esta manhã que a GNR começará no final do mês a levantar autos sobre terrenos ainda não limpos, mas sublinhou que este processo “não é uma caça à multa” e que as autoridades continuarão a sua ação pedagógica e de esclarecimento

  • De acordo com o ministro da Agricultura, Capoulas Santos, já estão executadas limpezas que correspondem a uma área de quase 1.400 hectares à volta das casas e das aldeias e, até 31 de maio, será limpa uma área equivalente a mais cerca de 1.600 hectares, totalizando cerca de 3.000 hectares limpos