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Zuckerberg não conseguiu acalmar os investidores

d.t.

O fundador do Facebook pediu desculpas e garantiu que está a fazer tudo para que não haja outros casos de utilização indevida de dados dos utilizadores, mas não conseguiu convencer Wall Street. As ações da rede social continuam a cair

Primeiro, foi num post publicado no Facebook, depois foi numa entrevista à CNN. Mark Zuckerberg, fundador e presidente executivo da rede social, procurou redimir-se, assumindo culpas, pedindo desculpas e garantindo que está a fazer de tudo para que a situação não se volte a repetir. Contudo, os investidores não parecem ter ficado apaziguados e, esta quinta-feira, as ações do Facebook, listadas no índice tecnológico Nasdaq, abriram no vermelho, uma tendência que não se tem alterado ao longo desta quarta sessão de negociação da semana.

Ao início da tarde em Nova Iorque (já depois das 18 horas em Lisboa), as ações caíam 1,42%, para 166,86 dólares (135.63 euros), ajudando a empurrar para terreno negativo o índice Nasdaq (que desvaloriza mais de 1,5%). No início da semana (segunda e terça), as ações caíram mais de 7% (com a capitalização bolsista da companhia a sofrer um rombo de 50 mil milhões de euros), mas esta quarta-feira, a tendência inverteu-se ligeiramente. Contudo, e apesar de Zuckerberg ter quebrado um silêncio que já era ensurdecedor para muitos, esta quinta-feira os mercados não reagiram positivamente.

Aliás, o Bank of America Merrill Lynch reduziu o preço-alvo das ações do Facebook de 230 para 265 dólares (186,9 para 174.8 euros), dizendo que as declarações de Zuckerberg não foram suficientes para alterar o sentimento negativo quanto à companhia. Uma má notícia para o gestor, no dia seguinte a ter-se desdobrado em declarações para acalmar a fúria dos críticos, o medo dos utilizadores e restaurar os laços de confiança quebrados, depois de ter sido conhecido que os dados de mais de 50 milhões de utilizadores do Facebook foram indevidademente utilizados pela consultora Cambridge Analytica, para influenciarem os eleitores das eleições presidenciais norte-americanas e do referendo ao Brexit, em 2016.

"Pensamos que Zuckerberg referiu as questões em causa e uma longa recuperação pode começar. Dito isto, não há nada que pudesse ser dito para acalmar as vozes mais críticas, pelo que a reação dominante persistirá enquanto a Cambridge Analytica continuar a fazer títulos de jornais, e esperamos algum impacto na utilização da plataforma neste prazo mais curto", escreveu, numa nota aos seus clientes o analista Justin Post.