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Sonix fica com instalações e ativos da Ricon

José Coelho/ Lusa

"A maior satisfação que tenho é criar postos de trabalho", diz Conceição Dias, a dona da Sonix. Já tinha contratado 120 ex-trabalhadores da Ricon. Agora, assume instalações da Ricon Industrial

A empresária têxtil Conceição Dias, da Sonix/Dias Têxtil, chegou a acordo com o administrador de insolvência da Ricon para assumir as instalações e os ativos da Ricon Industrial, a empresa-mãe do grupo de Famalicão que faliu no início do ano.

Citada pelo Jornal T, da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, a empresária refere, também, que poderá vir a contratar a quase totalidade dos 300 trabalhadores da Ricon Industrial.

"Temos já assegurado o coração a empresa, todo o seu know how, com as chefias e respetivas equipas. Nesta altura temos contratadas 157 pessoas", diz Conceição Dias, que no início do mês já tinha garantido a contração de 120 ex-trabalhadores da Ricon.

A nova unidade passará a funcionar com outra designação dentro do grupo, mas antes disso o negócio ainda tem de garantir o acordo dos principais credores.

Quando a Sonix assumiu as primeiras 120 contratações de ex- trabalhadores da Ricon já tinha deixado claro o interesse em alargar esta base para diversificar a sua atividade, mas o grupo Valerius também se apresentou na corrida, focado na contratação de duas centenas de trabalhadores e na aquisição de ativos fabris da Ricon.

O gosto de criar postos de trabalho

Conceição Dias, dá assim mais um passo na afirmação de um grupo têxtil que construiu a partir do zero, em Barcelos, onde começou a trabalhar aos 13 anos, com a 4ª classe.

Antiga costureira, agora empresário, garante que a sua maior satisfação "é criar postos de trabalho". Em 1984, apesar da casa onde morava ainda ser alugada, pegou nas suas economias, comprou cinco máquinas em segunda mão e iniciou um pequeno negócio de confeção com cinco aprendizas de 14 anos. Investiu 180 contos na DiasTêxtil. Era tudo o que tinha na altura.


Acabou por adquirir a fábrica dos antigos patrões. Depois, vieram as instalações da Mincalça, uma fábrica de camisas que tinha falido. Abriu uma confeção. Assumiu o controlo da Modelmalhas (tecelagem). Abriu uma fábrica na Tunísia. Acabou por juntar a Sonix a este portefólio, atraída pela ideia de ter também uma tinturaria.

Tem, atualmente, um grupo vertical onde emprega mais de meio milhar de pessoas, fatura 60 milhões de euros e exporta 99% da produção.

Gant à espera

Na sequência do processo de insolvência da Ricon, a Gant AB, com sede na Suécia, já fez saber que "aguarda pelo desenlace das questões legais relacionadas com a falência do grupo Ricon / Delveste para determinar uma nova estratégia para o mercado português". Mas esta foi, até agora, a única tomada de posição da marca depois do braço-de-ferro que ditou o encerramento da Ricon, no final de janeiro, deixando 800 trabalhadores no desemprego.

Nos ultimos 26 anos, a Gant teve uma parceria com a Ricon/Delveste, que envolveu produção e comercialização da marca, mas em janeiro as oito empresas e 20 lojas do seu parceiro português entraram em insolvência, com uma dívida de mais de 30 milhões de euros.

Em dezembro, Pedro Silva, patrão da Ricon, já tinha escrito aos seus trabalhadores, dando conta de “estrangulamentos financeiros” que deixavam o o subsídio de Natal em risco e uma sombra de falência sobre o grupo. Mas o empresário acreditava que a Gant Company poderia ainda aceitar uma proposta em que entregava o universo Ricon, incluindo a empresa (Delveste) representante da Gant em Portugal, desde que a multinacional se comprometesse a repor os níveis de encomendas às unidades produtivas e assegurasse a sobrevivência do ramo fabril.