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Prejuízos na Lezíria. Agricultores acusam Ambiente de não os ter informado das cheias no Tejo

PAULO CUNHA

Agora que a chuva abrandou, na Lezíria ribatejana começam a fazer-se contas aos prejuízos causados pelas inundações dos terrenos agrícolas. A Confederação dos Agricultores de Portugal diz que os danos podiam ter sido evitados se a Agência Portuguesa do Ambiente fosse mais eficaz

O excesso de água provocado pela subida repentina do caudal do Tejo na zona da Lezíria ribatejana acabou por apanhar centenas de agricultores desprevenidos, durante os últimos dias das fortes chuvadas, o que redundou em perdas de máquinas agrícolas, alfaias e tratores, que ficaram submersos.

Os prejuízos, segundo a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), ainda não estão totalmente contabilizados, “mas podiam ter sido evitados em grande parte se tivesse havido um aviso por parte da Agência Portuguesa do Ambiente APA, nem que fosse por sms, para as principais organizações de agricultores”, observa Eduardo Oliveira e Sousa, presidente daquela confederação.

O líder da CAP garante que a APA tem sondas em vários pontos do Tejo que permitem antever com uma elevada margem de precisão os aumentos de caudais no rio e que, se disponibilizasse atempadamente essa informação os agricultores do Ribatejo seguramente que tinham retirado os seus bens das terras que acabaram por ficar alagadas.

APA está presa na teia da burocracia

“É óbvio que a Proteção Civil faz avisos de cheias, mas apenas quando está em causa a segurança das pessoas e das habitações. Não há alertas dirigidos aos agricultores para as subidas repentinas das águas que, embora não sejam cheias catastróficas, acabam por resultar em perdas de bens que se podiam evitar”, nota o presidente da CAP. Acontece tal não se evita porque, segundo Oliveira e Sousa, a APA fica presa na teia da burocracia e na complexidade do seu site, que pouca gente consegue seguir com eficácia, para obter informação útil em tempo real. “Há aqui uma falta de eficácia que é por demais evidente e este é um serviço público que poderia estar a ter mais utilidade nomeadamente em matéria de partilha de informação com a lavoura”, remata.

Nos campos agrícolas da Lezíria que acabaram por ficar inundados com as últimas chuvas, para além de lá terem ficado submersas máquinas e alfaias agrícolas, estão agora impraticáveis para a preparação das primeiras sementeiras da primavera, as quais poderão acabar por sofrer alguns atrasos face ao seria de esperar em condições climatéricas normais.

Apesar de tudo, em abril e nos primeiros dias de maio deverão começar a ser lançadas à terra as sementeiras de milho, girassol, sorgo, arroz (com algumas falhas na zona do Alto Sado) e hortícolas em geral. “Pode ser que ainda se salve o ano agrícola, que chegou a estar fortemente ameaçado pela seca extrema que se observou até meados de fevereiro.

Neste momento algumas das principais barragens do país já se encontram com níveis de armazenamento de água próximos do que seria normal nesta época do ano, segundo informação divulgada já esta semana pelo Ministro da Agricultura.