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A Baga de Filipa conquistou o crítico Robert Parker 

Filipa Pato fez o vinho com uvas de 2015. A Wine Advocate deu-lhe, agora, 96 pontos. É a primeira vez que um vinho da Bairrada passa a fasquia dos 95 pontos para o crítico Robert Parker

Nos vinhos tintos, Filipa Pato só trabalha com a casta Baga. Para o Nosso Calcário Tinto 2015, escolheu uvas de vinhas velhas, com uma idade média de 80 anos, e o resultado convenceu Robert Parker, um dos mais reputados críticos internacionais, agora a dar-lhe 96 pontos na revista Wine Advocate.

Foi a primeira vez que a Bairrada passou a fasquia dos 95 pontos. “São boas notícias, claro”, comenta a enóloga, de 43 anos, consciente de que a Bairrada "passou mais uma barreira" e de que a distinção ajuda a dar notoriedade aos seus vinhos e a multiplicar vendas.

“O nosso importador na Alemanha diz que o vinho esgotou logo que colocou a informação nas redes sociais. Nos Estados Unidos o efeito foi idêntico”, comenta Filipa Pato.

É verdade que não estamos a falar de muitas garrafas. Com 7 hectares de vinha própria, na Bairrada, e outros tantos arrendados para trabalhar, Filipa faz umas 100 mil garrafas por ano, distribuídas por 10 rótulos. No caso do Nossa Calcário Tinto 2015 fez 4.310 garrafas e mais 181 magnums, que têm o dobro da capacidade da garrafa padrão. Nos EUA são vendidas a 38 dólares (36,06 euros), em Portugal rondam os 30 euros.

E estamos a falar de viticultura biodinâmica. Filipa Pato apostou em converter as vinhas que deverão receber a primeira certificação biológica em 2019. O trabalho é feito pela empresa Filipa Pato & William Wouters, onde junta o seu nome ao do marido, chefe e sommelier belga.

Ao mercado, Filipa Pato apresenta os vinhos com uma frase única, repetida em todos os rótulos: “Vinhos Autênticos. Sem Maquilhagem”. Afirma repetidamente a confiança no potencial da região da Bairrada e da casta Baga onde vê como principal trunfo “a autenticidade e a capacidade de transmitir a essência de um local.

Fundadora do grupo Baga Friends, que reúne um pequeno grupo de produtores amigos da casta desde 2010, Filipa conquistou, em 2011, o título the “Newcomer of the year” da revista alemã “Der Feinschmecker”, destinada a distinguir jovens enólogos revelação.

Em 2018, nos 96 pontos atribuídos por Robert Parker ao seu vinho da Bairrada, diz que uma das surpresas é este ser um vinho “com grau moderado (12º)”, quando a preferência do crítico, tradicionalmente, tem apontado para rótulos com mais álcool.

Na análise que faz da pontuação agora obtida, diz que o facto de Mark Squires, que trabalha com Parker, estar a acompanhar os vinhos portugueses já há alguns anos e vir repetidas vezes a Portugal, "terá, também, ajudado a perceber algumas pequenas subtilezas" de vinhos nacionais.

Filha do produtor Luís Pato, Filipa cresceu entre adegas e vinhos, ao lado do pai, estudou engenharia química em Coimbra e enologia em Bordéus. Depois, aprendeu com “os grandes mestres” em Bordéus, na Austrália e na Argentina. Quando regressou a Portugal, em 20011, começou a trabalhar com o pai, mas também a fazer os próprios vinhos.

Agora, no artigo “Portugal: Crasto, Esporão, New Releases and More”, publicado na Wine Advocate, consegue 96 pontos. O Douro, uma região mais habituada a estas classificações, também conseguiu receber 96 pontos do crítico norte-americano, com a Quinta do Crasto e o seu Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa 2015, a conquistarem 96+.