Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Na hora da despedida, Félix Morgado diz que cumpriu desafios no Montepio

Numa carta enviada aos trabalhadores do banco, José Félix Morgado, que deixa esta quarta-feira o cargo de presidente executivo no banco, sublinha que “tudo valeu a pena”, referindo estar de “consciência tranquila” e “orgulhoso” do trabalho em equipa

O agora ex-presidente executivo da Caixa Económica Montepio Geral (CEMG), José Félix Morgado, enviou uma carta aos trabalhadores do banco em que diz que, “após quase três anos de trabalho conjunto impõe-se uma última palavra de agradecimento pessoal pelo vosso compromisso, suporte e preseverança que nos permitiu devolver à CEMG a reputação, notoriedade e rentabilidade que são os pilares da sustentabilidade”.

Félix Morgado chegou à presidência executiva do banco em agosto de 2015, quando a gestão entre a CEMG e a associação Mutualista Montepio Geral, que controla o banco, separaram a sua gestão por recomendação do Banco de Portugal. Sai sem cumprir o mandato, mas invertendo os prejuízos com que o banco se deparava quando chegou. Em 2015 o banco teve um prejuízo de 243,5 milhões de euros, em 2016 reduziu para 86,5 milhões de euros e fechou o ano de 2017 com um lucro de 30,1 milhões de euros.

Félix Morgado e a sua equipa deixam o banco mais arrumado mas com muitos desafios ainda por fazer como sejam a limpeza de imparidades e uma maior separação entre a associação mutualista e a CEMG, cuja tarefa fica agora nas mãos de Carlos Tavares , ex- presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, que assumirá o lugar de presidente do conselho de administração e presidente executivo, este último temporariamente, até que seja encontrado um nome para o cargo.

Na missiva que dirigiu aos trabalhadores, Félix Morgado afirma ainda que não acredita em projetos pessoais e que “cada passo, cada degrau, cada concretização, ganhámo-los em equipa. E não há nada mais objetivo do que os indicadores económicos e financeiros que definimos em 2015 - antes de iniciar este trabalho de recuperação - e que cumprimos. E, quer alguns queiram, quer não, eles são positivos”.

Sublinha ainda que “devemos, por esse motivo, estar orgulhosos e de consciência tranquila, não dando importância aos poucos que procuram menosprezar o nosso trabalho coletivo destes quase três anos. De facto “quem fala não faz, não sabe fazer”.

“Tarefa cumprida”

“Para além da recuperação económica e financeira, cumpre-me sublinhar o reforço do governo societário e do sistema de controlo interno. Começámos a construir uma nova CEMG, retomando a inovação e concretizando a agenda digital”.

Recorda que reforçou a formação dos trabalhadores e introduziu a “Igualdade de Género”, sublinhando: “pedimos o vosso sacrifício nas atualizações salariais e progressão de carreira mas, em simultâneo, abrimos a possibilidade de uma maior partilha dos resultados que se deve iniciar já em 2018. Melhorámos o PWC Compliance Index de 60% para 90%. Tudo valeu a pena”.

“Cumpri a missão que me foi confiada. Sempre na linha da frente. Sempre só. Sempre apenas com os colegas do Conselho de Administração Executivo que comungam dos mesmos valores. Sempre com o vosso suporte. Sempre com a solidariedade do Conselho Geral e de Supervisão. Sempre com contínua colaboração, proximidade e confiança do Banco de Portugal”.

Fez questão de sublinhar aos trabalhadores que ocupou o lugar com “desapego”, porque “entendo que para servir temos que estar despojados desse nosso estatuto e de tudo que acarreta. Sempre com desprendimento para, em qualquer momento, poder “pegar na mala”. Somos o que somos e não a função que desempenhamos. Aliás, revelamos o que somos no exercício da função que desempenhamos”.

E finaliza dizendo: “saio porque fui fiel aos meus princípios éticos e profissionais, sem ceder a interesses que não sejam os da instituição e dos trabalhadores. Teria sido mais fácil acomodar pedidos ou ceder a promessas. É difícil ser vertical, sério, honrado e garantir um governo societário rigoroso. Esse foi o caminho que escolhi há muito e do qual não me afasto. Como vos disse “é preciso deixar rasto”, e por isso deixo também este testemunho de firmeza nos princípios e de desapego a interesses pessoais”.