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Mercados apostam em subida dos juros pela Fed, mas não arriscam mais prognósticos

SAUL LOEB/GETTY

A probabilidade da Reserva Federal norte-americana (Fed) decidir esta quarta-feira um aumento de 0,25 pontos percentuais na taxa diretora é superior a 90% no mercado de futuros que continua a não prever uma quarta subida em dezembro. Trump consegue eliminar combate ao protecionismo da agenda do G20 e risco de guerras comerciais permanece elevado a partir de final do mês

Jorge Nascimento Rodrigues

A Reserva Federal norte-americana (Fed), o banco central dos Estados Unidos, deverá esta quarta-feira subir a taxa diretora de juros em 25 pontos-base (0,25 pontos percentuais) na sequência da reunião do seu Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês), pela primeira vez presidido por Jerome Powell. No mercado de futuros das taxas diretoras, a probabilidade desta subida é muito elevada, superior a 90%, segundo o monitor da CME.

A decisão da Fed será conhecida pelas 19h (hora portuguesa) e Powell, o novo presidente do banco central, realizará a sua primeira conferência de imprensa. A Fed divulgará, também, as suas projeções macroeconómicas e as previsões dos membros do banco central quanto a futuras subidas da taxa diretora.

Atenção ao dot plot

A atenção dos analistas vai concentrar-se na direção das previsões dos 16 membros do comité de política monetária da Fed quanto ao futuro das taxas de juro do banco central, um gráfico que é conhecido na gíria por dot-plot. Até à reunião de hoje a projeção média aponta para as taxas diretoras se situarem no intervalo entre 2% e 2,25% no final do ano, o que implicaria apenas três subidas este ano, cada uma de 25 pontos-base a partir do intervalo atual de 1,25% a 1,50%.

Essa é, também, a previsão do mercado de futuros das taxas diretoras, que atribui probabilidades acima de 50% para novas subidas nas reuniões de 13 de junho e 26 de setembro. Uma quarta subida na última reunião do ano, para um intervalo de 2,25% a 2,5% ou superior, recolhe apenas 39% de probabilidade.

Inflação não descola

A situação continua a não ser clara nos EUA. A inflação, sobretudo o indicador da inflação subjacente ligada ao índice de gastos de consumo das famílias, não descola desde novembro. A inflação subjacente (sem as componentes mais voláteis da alimentação e da energia) mantém-se em 1,5% desde aquele mês do ano passado até final de janeiro, distante da meta de 2%. A estimativa para fevereiro só será conhecida a 29 de março.

Por outro lado, a entrada em uma dinâmica de guerras comerciais é cada vez maior a partir de abril. Os EUA conseguiram em Buenos Aires esta semana que a luta contra o protecionismo fosse eliminada do comunicado oficial do G20, quando ainda no ano passado constava na declaração de Hamburgo.

Risco de guerra comercial

O secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, declarou à margem do G20 que a Administração Trump não se vai afastar da sua estratégia de exigência de reciprocidade nas trocas internacionais e de avançar com tarifas aduaneiras sempre que entender proteger a economia ou a segurança do país. Mnuchin admitiu em Buenos Aires que essa postura poderá levar a uma resposta recíproca dos visados e que uma guerra comercial surja, acrescentando que os EUA não têm medo dessas guerras.

O silêncio da China na reunião do G20 desta semana foi ensurdecedor, apesar da ameaça de um pacote específico de medidas da Administração norte-americana, que poderá ser anunciado ainda esta semana.

Da parte da União Europeia, o ministro das Finanças francês Bruno Le Maire adiantou, no final do G20, que são inaceitáveis as condições colocadas pelos norte-americanos para isentar o bloco europeu da aplicação das tarifas sobre o aço e alumínio, em vigor a partir de sexta-feira.

Os analistas vão estar atentos a quaisquer declarações de Jerome Powell sobre este risco, sobretudo na conferência de imprensa que se seguirá à divulgação da resolução da reunião da Fed.

Os mercados asiáticos fecharam esta quarta-feira mistos, mas com as principais praças de Xangai, Hong Kong, Shenzhen e Seul no vermelho. A bolsa de Tóquio esteve fechada por ser feriado. A Europa abriu, também, mista.