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CAP avisa: chuvadas só vieram demonstrar que país precisa de mais barragens

João Carlos Santos

Como tende a chover cada vez menos mas de forma intensa e concentrada em curtos períodos de tempo, Portugal tem de apostar na armazenagem de água para evitar desperdícios. A Confederação dos Agricultores de Portugal garante que não há outra forma de lidar com as alterações climáticas

Já foi dito por vários especialistas em meteorologia e também por climatologistas: Portugal tende a ter períodos de chuvas cada vez mais escassos, mas que serão cada vez mais concentradas em curtos espaços de tempo. “Na verdade isto não é mais que o resultado das alterações climáticas. E é com esta realidade que vamos ter de nos habituar a lidar”, nota Eduardo Oliveira e Sousa, presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP).

Em declarações ao Expresso, aquele responsável faz questão de sublinhar que “estas fortes chuvadas das últimas semanas só vieram demonstrar uma coisa: Portugal tem de apostar seriamente no aumento da capacidade de armazenamento de água, para a poder ter disponível quando ela for mais necessária”. Ou seja, dito de outra forma, “temos de construir mais barragens, distribuídas por todo o país”.

Para termos água todo o ano tem de se aproveitar melhor

Quanto à resistência que esta sugestão possa vir a ter do lado dos ambientalistas, Oliveira e Sousa garante que, se houver um pouco de razoabilidade na forma como se olha para a nova realidade climática com que agora somos confrontados, “seguramente que não pode haver muita oposição pois a situação é grave e requer medidas radicais. Para termos água todo o ano temos de a aproveitar cada vez melhor, guardando-a e racionando a sua utilização. Só não vê isto quem não quer, tudo o resto é pura demagogia”.

Recorda que ainda há pouco mais de um mês o país lamentava os graves efeitos da seca severa não apenas na agricultura como também no abastecimento de água às populações. “Felizmente choveu e o ano agrícola, que era dado como perdido em grande parte das culturas, está agora mais equilibrado e tudo leva a crer que se possam recuperar alguns atrasos. No entanto, no caso do arroz a recuperação já não será total, pois na zona do Alto Sado, a água ainda não chega para tudo”. A barragem do Pego do Altar já começou a encher mas continua longe dos níveis normais para a época.

O presidente da CAP lembra que ainda há alguns casos de grande dificuldade na produção de comida para o gado, sobretudo em algumas zonas do Alto Alentejo. Garante que a chuva trouxe esperança a alguns produtores de bovinos, mas os pastos começam agora a ficar cheios de erva que interfere com a alimentação dos animais.