Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Bolsas de Nova Iorque fecham no vermelho. Fed diz que empresários estão preocupados com as tarifas de Trump

Wall Street regressou ao vermelho esta quarta-feira. Jerome Powell, presidente do banco central norte-americano (Fed), admitiu, em conferência de imprensa, que a sua equipa registou preocupação dos líderes empresariais do país com a política protecionista do governo

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas de Nova Iorque fecharam com perdas esta quarta-feira, regressando ao vermelho depois de ganhos no dia anterior. Os índices Dow Jones e S&P 500 perderam 0,18% e o Nasdaq composto, da bolsa das tecnológicas, caiu 0,26%. No conjunto, o índice MSCI para os Estados Unidos perdeu 0,16%.

Inicialmente, os índices bolsistas reagiram positivamente à decisão esta quarta-feira da Reserva Federal (Fed), o banco central, em subir a taxa diretora de juros em 25 pontos-base, o que era esperado, e em manter a projeção de mais duas subidas até final deste ano.

O banco central está, agora, ainda mais otimista, e reviu em alta as suas projeções para o crescimento económico em 2018 e 2019 e projeta que a inflação subjacente (sem contar as componentes mais voláteis do índice) fique ligeiramente acima de 2%, a meta do banco, em 2019 e 2020.

Em conferência de imprensa, Jerome Powell, o novo presidente da Fed, sublinhou que prefere o “meio termo – nem demasiado depressa, nem demasiado devagar”.

Um dos focos de atenção dos analistas dirigiu-se ao que é conhecido por dot plot, um gráfico de projeções das taxas diretoras em final de ano por parte dos participantes do comité de política monetária, que é atualizado trimestralmente.

As projeções divulgadas hoje não apontam para mais três subidas este ano, como especularam alguns analistas, mantendo as duas que os mercados já incorporaram até final do ano, eventualmente em junho e setembro.

No entanto, aceleraram a normalização da taxa de juros em 2019, apontando para três subidas em vez de duas previstas em dezembro. No final de 2020, segundo as projeções, o limite superior do intervalo para a taxa diretora poderá estar em 3,6%. Atualmente, depois da decisão tomada hoje, está em 1,5%-1,75%.

A sombra de Trump

Depois, os mercados hesitaram, à medida que a conferência de imprensa evoluiu, e acabaram por fechar em terreno negativo. A sombra do risco Trump entrou em cena.

Powell admitiu, na conferência de imprensa, que o pacote das tarifas aduaneiras que a Administração Trump vai lançar a partir de sexta-feira foi levantado na reunião pelos participantes e que a impressão que os membros do comité de política monetária recolheu junto de líderes empresariais do país é que “a política comercial se tornou uma preocupação”.

O presidente da Fed sublinhou que o banco central não se mete na política de comércio internacional, que compete ao governo, mas admitiu que esta política “se tornou uma preocupação daqui para a frente”.

No entanto, essa preocupação ainda não teve nenhum impacto na formulação da política monetária. "Se eu resumisse o que saiu disso [da abordagem do tema na reunião do comité de política monetária], foi, em primeiro lugar, que não há ideia de que as mudanças na política comercial devam ter algum efeito nas perspectivas atuais”, sublinhou Powell. Para já.