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"Só melhoramos se tomarmos os riscos necessários" na cultura e turismo

Pedro Ferreira (moderador), Gonçalo Rebelo de Almeida, José Mateus Ginó, Pedro de Mello e Francisco Cary no debate dedicado a Cultura e Turismo do XII Encontro Fora da Caixa, em Évora

Tiago Oliveira

Os desafios do sector cultural na relação com economia e turismo (a partir do Interior) estiveram em discussão no XII Encontro Fora da Caixa, projeto da CGD a que o Expresso se associa para debater temas estruturais para o desenvolvimento, um pouco por todo o país

Temos todas as condições "para aproveitar esta oportunidade conjuntural de forma duradoura". Quem o garantiu foi o antigo ministro da Economia e professor catedrático, Augusto Mateus, no palco da Arena de Évora, perante uma plateia composta por alguns dos mais relevantes empresários e políticos do Alentejo.

Por ocasião do XII Encontro Fora da Caixa (ciclo de conferências organizado pela CGD a que o Expresso se associa) a cidade foi a escolhida para acolher uma série de intervenções dedicadas à cultura e turismo, e ao seu impacto na economia e na sociedade. Cidade património mundial da humanidade, Évora não foi escolhida por acaso, sobretudo quando este tipo de valências é cada vez mais explorado pelas localidades do interior. "O turismo que se alimenta da cultura e património assume um peso muito grande", realçou Francisco Cary, administrador executivo da Caixa Geral de Depósitos.

A grande questão é perceber como conjugar este crescimento turístico com a preservação dos valores culturais intrinsecos, sem esquecer as "décadas de abandono" a que muitos destes municípios foram votados. Para Miguel Sousa Tavares, por exemplo, não há dúvidas que "há muitos anos que o despovoamento do interior é, se não um dos principais, o principal problema do país."

Período que a conjuntura favorável que o país vive pode ajudar a ultrapassar se forem tomadas opções conscientes de longo prazo. Com promoção de cultura a acompanhar. Como responsável e fundadora do Arte Institute - organização de divulgação da cultura portuguesa a partir de Nova Iorque - Ana Miranda partiu da crença "que através da arte se apresenta país". Imagem de modernidade que engloba a proteção do património, algo essencial para "nos compreendamos melhor a nós próprios", lembrou o presidente da Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, António Gomes de Pinho. E um caminho de cultura que "deve começar na escola", atirou o presidente do Monte da Ravasqueira, Pedro de Mello.

Para isso é preciso vontade e a cultura que "faz falta a parte da nossa classe política", na opinião do historiador Santiago Matias. Área onde algumas instituições privadas têm procurado também intervir, como forma de "aplicar rendimentos económicos na vertente cultural", como admitiu José Mateus Ginó, presidente do conselho executivo da Fundação Engénio de Almeida. No fundo, como disse o CEO da Vila Galé, Gonçalo Rebelo de Almeida, trata-se de conceber "cultura e património como indissociáveis do produto turístico." O que passa muito também por "ouvirmos o que as pessoas têm a dizer", segundo o presidente da comissão executiva da CGD, Paulo Macedo.