Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Semana começou mal nas bolsas. Facebook foi o fósforo, mas riscos mundiais dominam

FOTO Dado Ruvic /REUTERS

Zuckerberg perdeu 5 mil milhões num dia, Wall Street registou a quarta pior sessão do ano e as bolsas mundiais recuaram mais de 1% na segunda-feira. Ásia fechou esta terça-feira ‘mista’, mas Tóquio regista terceira sessão consecutiva no vermelho

Jorge Nascimento Rodrigues

A vitória de Donald Trump nas eleições norte-americanas em novembro de 2016 gerou no fim de semana passado mais um dano colateral. A vítima foi o Facebook, um dos quatro gigantes do chamada clã tecnológico Gafa (Google, Amazon, Facebook, Apple).

As ações da empresa criada por Mark Zuckerberg caíram na segunda-feira 6,8% no Nasdaq e o próprio fundador perdeu num dia 5 mil milhões de dólares (mais de €4 mil milhões), segundo o ‘contador’ permanente da revista Forbes sobre a riqueza dos multimilionários.

A queda do Facebook acabou por ser o fósforo que arrastou perdas de 1,8% no índice Nasdaq composto. O contágio a Wall Street não se fez esperar. O índice Dow Jones 30 recuou 1,35% e o S&P 500 caiu 1,42%. No conjunto, as duas bolsas norte-americanas perderam 1,41%, a quarta pior sessão desde início do ano, depois das perdas nos dias 2, 5 e 8 de fevereiro. O índice para o sector das tecnologias de informação no S&P 500 registou uma queda de 2,1%.

A volatilidade no índice S&P 500 subiu na segunda-feira 20,4%, a quarta maior desde início do ano. A volatilidade sinaliza o pânico nas bolsas nova-iorquinas. Esteve longe, contudo, do disparo de 115,6% a 5 de fevereiro, na semana negra. Mas próximo do registado a 8 de fevereiro, o segundo dia de quebras mais elevadas desde início do ano.

O problema não é só o Facebook

A estação norte-americana CNN falava ontem de "uma crise existencial do Facebook", mas o site Motherboard ia mais longe - refere uma vulnerabilidade dos gigantes do Silicon Valley. "Eles criaram máquinas de colecta massiva de dados sem praticamente nenhumas barreiras em relação a como são usadas", sublinha o site.

George Soros no último Fórum de Davos acusou o Facebook e a Google de fomentarem o populismo.

A queda nas duas principais bolsas do mundo pressionou o índice mundial MSCI que recuou 1,07% na segunda-feira, marcando a segunda pior sessão do mês de março. Os estragos não ocorreram só em Nova Iorque. O índice MSCI para a Ásia fechara a cair 0,66% e o similar para a zona euro perdeu 0,75%, com o índice Dax de Frankfurt a cair 1,4%. Em Lisboa, o PSI 20 perdeu 0,73%.

Risco de guerras comerciais

O início da semana está a ser marcado pelo impacto global do risco de guerras comerciais na sequência da entrada em vigor na próxima sexta-feira do pacote de tarifas aduaneiras da Administração Trump em relação ao aço e ao alumínio.

Decorrem negociações bilaterais com Washington, nomeadamente por parte da União Europeia (UE), para tentar obter isenção da aplicação das medidas protecionistas. Os Estados Unidos estarão a exigir cinco condições para isentar a UE, segundo a Bloomberg - limitação das exportações de aço e alumínio para os EUA nos níveis de 2017; atuação em relação às práticas comerciais da China; cooperação no Fórum Global do Aço; cooperação em diversos casos pendentes na Organização Mundial do Comércio; e reforço da cooperação em matéria de segurança.O ministro da Economia alemão espera que os diferendos com os EUA estejam resolvidos até sexta-feira e o ministro das Finanças francês admitiu que a UE obterá uma isenção total das tarifas.

Na sexta-feira, poderá, também, ser lançado um pacote de tarifas específico dirigido à China, segundo a Reuters.

À espera de comunicado final do G20

Em Buenos Aires, no decurso da reunião de ministros de Finanças - onde participa Mário Centeno enquanto responsável pelo Eurogrupo - e de banqueiros centrais do G20 negoceia-se o texto do comunicado final que deverá ser publicado esta terça-feira no encerramento da cimeira.

Tal como na reunião do G20 de Hamburgo em junho de 2017 espera-se, agora, que a Argentina, o país anfitrião que preside este ano ao grupo, consiga um compromisso que acomode as posições da Administração Trump que defende “um comércio livre baseado na reciprocidade” e o reconhecimento do papel “de instrumentos de defesa comercial legítimos”.

A sessão de terça-feira nas bolsas já fechou ‘mista’ na Ásia, com a praça de Tóquio, a terceira mais importante do mundo e principal na região, a registar perdas pela terceira sessão consecutiva. A bolsa de Xangai escapa ao vermelho animada pelas decisões da Assembleia Nacional Popular chinesa que reconduziu Xi Jinping na presidência, num quadro constitucional novo, e elegeu a nova equipa, nomeadamente a económica, onde pontificam Liu He, um vice-primeiro-ministro, e Yi Gang, o novo governador do Banco Popular da China, o banco central. A Europa deverá, também, abrir 'mista' .

  • Desempenho dos títulos da companhia está a ser afetado pelas revelações sobre a empresa Cambridge Analytica, acusada de ter usado indevidamente dados de utilizadores da rede social. Presidente do Parlamento Europeu já veio confirmar que a instituição vai investigar o caso

  • O que vai marcar os mercados financeiros esta semana

    O risco de uma guerra comercial vai pairar sobre o G20 em Buenos Aires e a Cimeira Europeia. As tarifas de Trump entram em vigor na sexta-feira. A Reserva Federal dos EUA decide uma subida da taxa diretora e o Banco central da China tem novo governador. O Parlamento italiano abre a nova legislatura sem governo no horizonte