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Calçado. Kyaia dá plataforma de vendas online ao sector

LUCILIA MONTEIRO

Overcube arranca com 13 marcas de sapatos e já tem fila de espera. O primeiro alvo é a Europa.

"A indústria portuguesa de calçado exporta mais de 80 milhões de pares de sapatos por ano. É uma fatia disso que nós queremos apanhar com a nossa nova plataforma de vendas online", diz ao Expresso Fortunato Frederico, presidente da Kyaia, o maior grupo português de calçado, a uma semana de estrear o mais recente projeto do grupo, na Internet.

Chama-se Overcube, representa um milhão de euros de investimento e arranca com uma equipa de 20 profissionais, dedicada às vendas online, primeiro na Europa, mas já com a ambição de chegar aos outros continentes.

"É um modelo de negócio em que podemos substituir salários mais baixos, do retalho, por salários mais elevados, porque exige pessoas com novas competências, designadamente tecnológicas", explica o empresário que liderou durante 18 anos a APICCAPS - Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado.

O novo projeto do grupo deverá, no entanto, ser acompanhado do encerramento de algumas sapatarias da rede Foreva ao longo deste ano, admite Frederico Fortunado, adiantando apenas que "o encerramento visa as sapatarias que dão prejuízo" nesta rede que comprou em 2005, quando estava falida e tem, atualmente, meia centena de lojas.

A plataforma engloba as 4 marcas da casa - Fly London, Softinos, Foreva e Portuguesas (em parceria com a Amorim) - mas também está aberta a outras marcas nacionais e até a algumas insígnias estrangeiras. "A ideia é ir engordando a oferta progressivamente e já temos várias marcas em fila de espera para entrar", diz o empresário, a fazer os acertos finais para inaugurar o Overcube a 28 de março.

A justificar o otimismo no novo projeto da Kyaia, Fortunato Frederico refere que "só no mercado Europeu há mais de 500 milhões de habitantes. Com arte e engenho temos margem de manobra para vingar", diz.

O salto para a plataforma digital surge numa altura em que o retalho vive um período de quebra de vendas devido a um conjunto de fatores, da crise económica recente, às condições meteorológicas e às novas tendências de mercado.

Na Micam, a maior feira do mundo do sector do calçado, em março, Amilcar Monteiro, sócio de Frederico Fortunato, já tinha dito que os canais estavam a mudar e havia2 novos players no sector" que tinham de ser considerados, até porque "as novas gerações de consumidores vão menos às lojas". "Neste momento, há muita gente a ganhar quota de mercado e dinheiro e muita gente a perder negócio e a sair, mas como todos continuaremos a andar calçados a resposta passa por encontrar soluções na área do multicanal, descobrindo novas formas de vender", sustentou. "Temos ideias, estamos a trabalhar nelas, muito em breve teremos notícias", garantiu ao Expresso.

A Kyaia, com vendas na ordem dos 65 milhões de euros, assumiu a ambição de ser um dos 5 maiores players europeus do sector do calçado nos próximos anos. O grupo de Guimarães tem em curso investimentos de mais de 4 milhões de euros em várias frentes, do digital, à ampliação industrial e, também, ao turismo.

A empresa já investiu, também, numa fábrica de produção costumizada para responder em 24 horas às encomendas digitais.