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Aumento das exportações não é suficiente para as empresas crescerem

O primeiro de seis debates do projeto "Empresas Mais Fortes", na sede do Santander Totta, moderado por João Vieira Pereira (diretor-adjunto do Expresso), teve como convidados do painel Isabel Caetano (administradora da Agência Nacional de Investigação), Jorge Marques dos Santos (presidente do IAPMEI), Luís Filipe Pereira (presidente do FAE) e Carlos Santos Lima (coordenador de negócios do Santander Totta)

NUNO FOX

Os grandes desafios das PME foi o tema do primeiro de seis encontros do novo ciclo de debates denominado “Empresas Mais Fortes” e organizado pelo Expresso e pelo Santander Totta

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

As exportações têm sido, cada vez mais, um dos principais motores de crescimento das Pequenas e Médias Empresas (PME) e, consequentemente da economia nacional, mas só isto não é suficiente. Há ainda que mudar mentalidades, métodos de gestão e estratégias de crescimento.

Esta foi uma das principais conclusões do primeiro de seis debates do projeto do Expresso e do Santander Totta, que começaram esta terça-feira, na sede do banco em Lisboa. Denominada “Empresas Mais Fortes”, tem como objetivo discutir o que é preciso e o que falta às empresas portuguesas para serem, como o nome indica, mais fortes. E, por isso, o primeiro tema escolhido foi “Os grandes desafios para as PME”, já que são elas que compõem a maioria do tecido empresarial português.

De acordo com o secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Dias, que abriu o debate, o ano passado, o peso das exportações em termos reais atingiu os 42% e as vendas de bens para o exterior aumentaram €5 mil milhões. Mas “o número de empresas exportadoras continua limitado a 22 mil”, ou seja, “as exportações crescem mais do que as empresas exportam”, disse. Além disso, também é preciso diversificar os países para onde se exportam porque estão ainda muito concentrados em Espanha, Angola, França, Reino Unido e Itália. E é ainda preciso atrair talento para, dessa forma, se conseguir inovar e fazer frente à digitalização da economia.

O caminho não é fácil e, sobretudo, não é imediato porque é preciso mudar mentalidades em muitas das PME portuguesas e muitas das associações que ainda continuam agarradas a métodos tradicionais de produção e de gestão, como referiu o presidente do Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação (IAPMEI), Jorge Marques dos Santos.

Além disso, comentou outro dos intervenientes, a administradora da Agência Nacional de Inovação (ANI), Isabel Caetano, é preciso “estimular as empresas a inovar”. Um objetivo para o qual é necessário captar talento e novas gerações para a gestão das empresas, até mais que financiamento, acrescentou ainda o presidente do IAPMEI. “Nas PME, o problema é de gestão e não tanto de financiamento”, comentou.

“Não podemos obrigar uma empresa a fazer inovação se ela não sentir necessidade disso e essa necessidade parte do lado humano”, referiu o presidente do Fórum de Administradores e Gestores de Empresas (FAE), Luís Filipe Pereira.

Contudo, para o director coordenador e negócios do Santander Totta, Carlos Santos Lima, que também se sentou na mesa do debate, o cenário já não é tão negro como há uns anos, porque há cada vez mais empresas a procurar inovar e a pedir apoios nesse sentido, não financeiros, mas sim de formação. “Tem havido um maior investimento em eficiência nos últimos anos”, disse.