Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

O que vai marcar os mercados financeiros esta semana

Drew Angerer/GETTY

O risco de uma guerra comercial vai pairar sobre o G20 em Buenos Aires e a Cimeira Europeia. As tarifas de Trump entram em vigor na sexta-feira. A Reserva Federal dos EUA decide uma subida da taxa diretora e o Banco central da China tem novo governador. O Parlamento italiano abre a nova legislatura sem governo no horizonte

Jorge Nascimento Rodrigues

É uma semana cheia. Da conclusão da Assembleia Nacional Popular da China ao primeiro encontro de ministros das Finanças e banqueiros centrais do G20 em Buenos Aires, até à reunião da Reserva Federal norte-americana que poderá decidir uma subida das taxas de juro. Do Conselho Europeu e Cimeira Europeia com o Brexit e o risco de guerra comercial com os EUA na agenda, à entrada em vigor das tarifas de Trump sobre o aço e alumínio e à abertura da XVIII legislatura na Câmara de Deputados italiana. Estes eventos poderão afetar os mercados financeiros.

China tem novo governador do banco central

Yi Gang, um doutorado em Economia pela Universidade do Illinois, nos EUA, foi esta segunda-feira nomeado governador do Banco Popular da China, o banco central da segunda maior economia do mundo, pela Assembleia Nacional Popular (o parlamento do regime comunista). O economista substitui Zhou Xiaochuan com quem trabalhou como vice-governador nos últimos 15 anos. Yi já declarou que prosseguirá a política monetária “prudente” do seu antecessor. O governador irá trabalhar em ligação estreita com Liu He, o cérebro económico da estratégia do presidente Xi Jinping que foi eleito para vice-primeiro-ministro encarregado da economia e das finanças.

As sessões da Assembleia terminam na terça-feira. Com o novo mandato de Xi, sem constrangimentos constitucionais de reeleição, e da nova equipa dirigente, onde se encontram Liu He e Yi Gang, a China inicia a primeira fase de uma estratégia até 2049 - centenário da proclamação da República Popular por Mao - que pretende transformar a atual segunda maior economia do mundo numa superpotência partilhando a hegemonia com os EUA.

G20 marcado por protecionismo de Trump

A primeira reunião de ministros das Finanças e banqueiros centrais do G20 – o grupo das 20 principais economias do mundo – decorre hoje e amanhã em Buenos Aires e vai estar marcada pelo risco de uma guerra comercial desencadeada pelo pacote de tarifas alfandegárias impostas pelos EUA que entra em vigor na próxima sexta-feira e pela possibilidade de um efeito dominó de reações dos parceiros comerciais.

Este ano o G20 é presidido pela Argentina. A reunião conta com 22 ministros das Finanças, incluindo Mário Centeno, na qualidade de presidente do Eurogrupo, 17 banqueiros centrais, entre eles Jerome Powell que preside à Reserva Federal norte-americana e Mario Draghi. Presidente do Banco Central Europeu (BCE), e 10 representantes de organizações internacionais, como o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional, e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico.

O secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, vai estar no centro das atenções. A reunião já foi marcada por um “engano”. David Malpass, um subsecretário de Mnuchin, já teve de se desdizer este fim de semana em Buenos Aires. Começou por afirmar que o diálogo económico com a China tinha sido “descontinuado”, para depois corrigir, dizendo que fora “um engano”. EUA e China dispõem de um mecanismo bilateral de diálogo de alto nível em assuntos económicos conhecido pela sigla CED (Comprehensive Economic Dialogue).

Fed deve anunciar subida das taxas de juro

A Reserva Federal norte-americana (Fed) realiza na quarta-feira uma reunião de política monetária, a primeira que é presidida pelo novo presidente Jerome Powell. Há um consenso entre os analistas que a Fed decidirá proceder a um aumento das taxas diretoras em 25 pontos-base subindo o intervalo para 1,5%-1,75%. Será a sexta subida depois do período de taxas em mínimos históricos perto de 0% entre 16 de dezembro de 2008 e 16 de dezembro de 2015. Recorde-se que na zona euro, a taxa diretora permanece em 0%.

Os mercados financeiros esperam essa subida, pelo que não será um elemento de surpresa. Os analistas vão estar, por isso, mais atentos às projeções que serão apresentadas, averiguando se os banqueiros centrais se inclinam para mais duas subidas – o que os mercados já consideram como provável - ou mais três até final do ano. A inflação – sobretudo a inflação subjacente, a que a Fed dá particular atenção – continuava muito baixa, em 1,5% em janeiro, e em fevereiro deverá ter-se mantido nesse nível. O que apontaria para prudência por parte da Fed.

O impacto dos resultados da reunião e da primeira conferência de imprensa de Powell será avaliado na evolução dos juros da dívida a 10 anos (que têm variado entre 2,8% e 2,9% em março) e nas duas bolsas nova-iorquinas que ainda registam ganhos desde início de março.

Brexit e Trump vão dominar cimeira europeia

A 22 e 23 de março, realizam-se a reunião do Conselho Europeu e uma cimeira europeia. Na agenda, a situação do comércio mundial, marcada pela vaga protecionista da Administração Trump, e o andamento das negociações da saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit).

Depois da candidatura de Luis de Guindos a vice-presidente do BCE ter passado no plenário do Parlamento Europeu por maioria na semana passada, e do seu nome ter sido aprovado pelo próprio banco, o ex-ministro espanhol deverá ser aprovado no Conselho Europeu para substituir Vítor Constâncio em junho.

Pacote Trump entra em vigor na sexta-feira

As tarifas sobre a importação de aço e de alumínio para os EUA entram em vigor na sexta-feira.

O aumento do protecionismo e o risco de guerras comerciais começou a agitar as bolsas na semana passada. O índice mundial perdeu mais de meio por cento durante a semana e as duas bolsas de Nova Iorque lideraram as quedas com o índice dos EUA a cair 1,4% nas cinco sessões, com quatro delas no vermelho.

Parlamento italiano reabre na sexta-feira

Também dia 23, a Câmara de Deputados italiana inicia a sua XVIII legislatura num quadro de divisão em três blocos – o de uma coligação de direita liderada pela Liga (ex-Liga Norte), o Movimento 5 Estrelas (que obteve, em termos de partido, a maior votação nas eleições de 4 de março) e uma coligação de esquerda, liderada pelo Partido Democrático, que continua à frente do governo. Nenhum dos blocos pode formar um governo de maioria.

Os resultados das eleições de 4 de março foram considerados como um “terramoto político” com a subida do Movimento 5 Estrelas e da Liga. A coligação de direita está dividida entre negociar um acordo com o 5 Estrelas – os media transalpinos falam de um ‘flirt’ em curso entre a Liga e o 5 Estrelas – e obter o apoio do Partido Democrático a um governo de direita, a opção defendida por Silvio Berlusconi.

Esta situação de incerteza ainda não provocou um abalo na bolsa de Milão – o índice MIB continua em terreno positivo desde início de março – e não gerou um disparo na taxa de juro da dívida a 10 anos, ainda que esta se mantenha acima da portuguesa, num nível de 2%.

  • O índice mundial dos mercados de ações caiu mais de meio por cento esta semana pressionado por uma queda de 1,4% nas bolsas de Nova Iorque. Praças da zona euro caem ligeiramente. Lisboa regista ganhos. BCE continua a segurar espaço da moeda única face a escalada protecionista vinda de Washington